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Algumas perguntas sobre autismo

No contexto das especificidades, incluindo o autismo, há sempre algumas dúvidas e aspectos não muito claros. Por isso, dando continuidade à abordagem sobre o autismo, o Fique por Dentro desta semana aborda algumas dúvidas comuns.
publicado: 24/09/2020 10h40 última modificação: 24/09/2020 10h40

No contexto das especificidades, incluindo o autismo, há sempre algumas dúvidas e aspectos não muito claros. Por isso, dando continuidade à abordagem sobre o autismo, o Fique por Dentro desta semana aborda algumas dúvidas comuns.

Autismo e deficiência intelectual são a mesma coisa?

Não. O autismo é um transtorno que afeta especificamente a capacidade de comunicação e interação sociais e acarreta interesses restritos e comportamentos repetitivos. A deficiência intelectual (DI) é mais ampla, acarreta um desenvolvimento intelectual e adaptativo muito aquém do esperado para a faixa etária da pessoa. Não há espaço aqui para aprofundar a explicação acerca do que tudo isso quer dizer e as especificidades das duas condições. Mas uma das diferenças está no interesse social. Pessoas com TEA têm dificuldades nesse aspecto, por exemplo, por focarem muito nos chamados hiperfocos, nos assuntos e objetos de seu interesse e preferirem estar atentas a esses hiperfocos, em ambiente mais reservado, do que em grupos sociais. Por seu turno, pessoas com DI têm mais interesse em se socializar, em estar nos grupos. A dificuldade na interação social está no fato de elas não acompanharem os assuntos dos diálogos nos grupos da sua faixa etária por apresentarem um desenvolvimento que não alcançou a maturidade dos pares. Outra postagem pode abordar as semelhanças e diferenças entre as duas condições. De todo modo, O TEA e a DI podem estar associadas na mesma pessoa. Há uma porcentagem de pessoas com TEA com altas habilidades, outra com intelecto preservado e outra com deficiência intelectual.

Pessoas sem nenhum comprometimento visível podem ser autistas?

Sim. Autismo não tem cara, não tem marcadores físicos, não altera os olhos, o rosto ou o corpo. Mesmo as estereotipias motoras podem ser controladas. Autistas leves, muitas vezes, não são vistos como autistas pelos outros por não apresentarem em público as estereotipias e por não terem aparência diferente, mas isso não significa que as estereotipias não acontecem ou que o autismo não está lá. As características do autismo não são físicas, não são visíveis no rosto, mas são comportamentais. Muitos autistas leves são acusados de estar mentindo quando afirmam sua condição, o que é um erro grave, e é necessário que a sociedade seja esclarecida sobre o autismo e conheça mais essa especificidade.

Todo autista tem dificuldade de fala?

Não. Autistas leves muitas vezes não têm problemas fonoarticulatórios. E há aqueles que usam até termos rebuscados e falam de maneira fluente. As diferenças são percebidas em aspectos mais sociais da linguagem, isto é, no que ele diz, como diz, e em que contexto, em como ele interpreta o que dizem, além da dificuldade no uso e interpretação da linguagem não verbal.

Autistas são apenas as pessoas mais isoladas e dependentes?

Não. A condição autística varia muito e é dividida nos níveis leve, moderado e severo, vai desde as pessoas que, apesar das dificuldades sociais, conseguem participar de grupos sociais e alcançam mais naturalmente a autonomia até as que são muito isoladas e necessitam de muito apoio. Outra postagem traz um panorama sobre os níveis no TEA.

Por que há um crescimento no número de autistas?

De acordo com a literatura sobre o assunto, uma das razões pode ser a ampliação dos critérios para o diagnóstico de autismo, incluindo não apenas os casos de maior comprometimento, mas também casos de indivíduos com a presença de maior autonomia, mas com características comuns ao autismo, ligadas à dificuldade de comunicação social, dificuldade de interação social e presença de interesses restritos e comportamentos repetitivos, as quais aparecem com maior ou menor  intensidade em todos os níveis de autismo. Outra razão apontada é o maior esclarecimento hoje que leva à busca de ajuda e mais descobertas de casos de TEA.

O autismo só é diagnosticado na infância?

Não. Há algum tempo, pensava-se em autismo apenas como aquele perfil com maiores comprometimentos. Com a ampliação dos critérios para designar o autismo, há autistas que descobrem na adolescência ou na fase adulta que têm o transtorno. Além disso, muitos autistas têm características tão leves e habilidades tão valorizadas que os pais e familiares não atinaram para o autismo na infância. As inabilidades sociais acabam sendo mais sentidas com o passar dos anos e as maiores exigências sociais. As situações de conflito e dolorosas podem ser intensas, levando à busca de ajuda especializada, o que é outra razão para ensejar a descoberta do TEA.

Autismo tem “cura”?

Não. Com o apoio adequado, pessoas no nível moderado, por exemplo, podem passar ao nível leve ou até apresentar traços levíssimos, chegar ao que os especialistas chamam da fronteira do espectro. Mas não há indicação de que o autista possa sair do mesmo.

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