Reitoria do IFPB instala primeiro Banco Vermelho da instituição

Equipamento conta com uma placa informativa que reforça mensagens de reflexão e dados sobre a gravidade da violência contra a mulher no país

 

O Banco Vermelho transmite a mensagem de que o IFPB não tolera a violência contra a mulher.

O Instituto Federal da Paraíba (IFPB) instalou, nesta sexta-feira (2), o seu primeiro Banco Vermelho. A iniciativa integra a campanha nacional de conscientização e alerta à sociedade sobre a violência de gênero e o combate ao feminicídio. O equipamento fica na recepção da Reitoria do instituto, conhecida como Casa Rosada, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. A cerimônia de adesão da instituição à campanha mobilizou representantes da gestão e da comunidade acadêmica.

O banco instalado no IFPB conta com uma placa informativa que reforça mensagens de reflexão e dados sobre a gravidade da violência contra a mulher no país. “Este banco representa uma luta pelo feminicídio zero. Sentar e refletir. Levantar e agir. O Brasil é o 5º país do mundo que mais mata mulheres entre 196 nações. A cada 6 horas, uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil. A cada 6 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. Noventa por cento dos assassinos de mulheres e meninas são homens. Procure ajuda”, traz a mensagem gravada na placa.

Mary Roberta Marinho, reitora do IFPB

A reitora Mary Roberta Meira Marinho destacou a importância de ações institucionais e educativas no combate à violência contra a mulher e ao feminicídio. Segundo a gestora, a instalação do Banco Vermelho não é um movimento isolado e reflete um compromisso contínuo da instituição. Mary Roberta ressaltou a importância de enfrentar problemas internos, citando a apuração de casos de assédio sexual que resultaram no desligamento de profissionais do quadro do IFPB.

“Nós temos alguns números que não são para festejar, mas é uma necessidade e precisamos disso (a demissão de servidores) para que essa violência não avance. Já foram seis portarias assinadas. A gente tem que ter a coragem de iniciar esse processo e de dar continuidade”, afirmou a reitora. Ela também sugeriu que os diretores-gerais de campi instalem equipamentos semelhantes nas unidades de ensino.

João Netto Monteiro, secretário do MPF-PB

O secretário estadual do Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB), João Netto Monteiro, representou a procuradora-chefe da unidade, Janaina Andrade. “A quantidade de estupros, agressões e homicídios que a população feminina tem sofrido virou praticamente uma pandemia. São violências sofridas dentro de casa, na rua e nos ambientes públicos. O Banco Vermelho é um alerta, um símbolo”, afirmou.

João Netto destacou que o MPF tem se engajado no combate à violência contra a mulher e ressaltou que a instituição foi uma das primeiras do país a aderir à iniciativa. “Parabenizo o IFPB e espero que a ação seja disseminada também para os campi”, disse.

Para a presidente da Rede de Combate ao Assédio (RCA) do IFPB, Lamara Fábia Lucena, a ação é fundamental para reiterar o compromisso da instituição no enfrentamento ao assédio e no acolhimento às vítimas, de modo a providenciar as medidas adequadas.

“O banco passa a mensagem de que não podemos tolerar situações de violência. Eu diria que é uma campanha preventiva, principalmente porque sempre vai nos trazer à memória uma situação que a nossa sociedade não pode mais tolerar. O engajamento da instituição nesse compromisso, que é uma política nacional e uma referência internacional, dá esperança de reduzirmos cada vez mais esse tipo de violência na instituição, dentro das nossas casas e na sociedade”, disse.

Cerimônia mobilizou representantes da gestão e da comunidade acadêmica

Rede de Combate ao Assédio conta com núcleos nos campi

Quem for vítima ou conhecer alguém que esteja passando por situação de assédio no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) pode recorrer à Rede de Combate ao Assédio da instituição por e-mail (rca@ifpb.edu.br) ou pessoalmente nos Núcleos de Combate ao Assédio (Nucas). Nos campi, qualquer pessoa — estudante, servidor ou terceirizado — pode procurar atendimento caso sinta necessidade.

“Cada campus tem o seu Núcleo de Combate ao Assédio, com uma equipe formada para acolher as situações e fazer os encaminhamentos de acordo com o protocolo já estabelecido, inclusive aqueles direcionados a órgãos externos, como o Conselho Tutelar”, explicou Lamara Lucena.

Telefones para denúncias

Denúncias de estupro, tentativa de feminicídio, feminicídio e outros tipos de violência contra a mulher podem ser feitas por meio de três telefones: 197 (Disque Denúncia da Polícia Civil), 180 (Central de Atendimento à Mulher) e 190 (Polícia Militar, para casos de emergência).

Conforme dados do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, pelo menos 19 mulheres foram vítimas de feminicídio na Paraíba no primeiro semestre de 2026. Além disso, também foram registradas 19 tentativas de feminicídio.

Angélica Lúcio - Jornalista da DGCOM/IFPB