No palco do ENEX 2026, a extensão também vira arte

Teatro, dança e cultura popular mostram outra dimensão dos projetos desenvolvidos por estudantes e servidores dos Institutos Federais na PB

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A lenda da vitória-régia ganhou movimento no palco do Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural, em João Pessoa (PB), na tarde desta quarta-feira (12). Inspirado no folclore brasileiro, um dos espetáculos apresentados na mostra artístico-cultural do 8º Encontro de Extensão e Cultura dos Institutos Federais da Paraíba (ENEX) levou a história à plateia. “A gente quis retratar essa lenda do folclore brasileiro, através da dança e da cultura popular”, contou Liedison de Sousa Lopes, estudante do Campus Guarabira e responsável pela coreografia do grupo. Segundo essa lenda amazônica, a vitória-régia é originalmente uma indígena que se afogou após se inclinar no rio para tentar tocar o reflexo da Lua.

As apresentações fazem parte de uma programação maior, que reúne teatro, dança, música, exposições e teatro lambe-lambe. Antes de chegar ao palco, os trabalhos passaram por inscrição e avaliação de uma comissão formada por professores das áreas de artes, literatura e cultura. No Teatro Paulo Pontes e no mezanino ficaram concentradas as artes cênicas. O primeiro dia reuniu oito trabalhos selecionados e outros oito estão previstos para o último dia do evento, nesta quinta-feira (13). Entre os grupos que chegaram à mostra está o Coletivo de Teatro Pataquada, do Campus Patos, projeto de extensão criado em 2021 e formado por estudantes e servidores.

O grupo passou a pesquisar autores nordestinos contemporâneos e desenvolveu leituras dramatizadas que, em 2025, foram apresentadas às turmas dos cursos integrados do campus. “A gente fez essa leitura para todas as turmas no ano passado, em 2025. E agora, com essa possibilidade do ENEX, a gente trouxe de volta, resgatou esse trabalho, enquanto a gente está ensaiando e preparando um novo trabalho também”, explicou Rodrigo Cunha, um dos integrantes do coletivo. Para Samara Silveira, professora de teatro do Campus João Pessoa e uma das responsáveis pela mostra artístico-cultural, ter um espaço próprio para essas produções ajuda a fortalecer atividades que acontecem ao longo de todo o ano nos campi. “Isso fortalece o trabalho dos professores, estimula os estudantes a cada vez mais participarem de grupos de extensão, de projetos, de participar extra sala de aula”, afirma.

Segundo ela, os estudantes encontram nesses projetos tempo para ensaiar, pesquisar e construir os trabalhos em conjunto com os professores. Esse movimento também aparece na quantidade de grupos interessados em subir ao palco. Samara lembra que, quando a mostra começou, havia apenas dois grupos de teatro do IFPB para se apresentar. Hoje, são dez, e a quantidade de trabalhos já exige seleção e uma programação apertada para acomodar grupos de diferentes campi. Os editais de cultura, segundo a professora, também ajudaram a ampliar a estrutura das produções, com figurinos, cenários e melhores condições para as apresentações.

Mais do que mostrar o resultado de meses de preparação, a mostra coloca estudantes e servidores dos dois lados do palco: como artistas e também como público. Eles apresentam, assistem aos colegas, conhecem outros estilos e entram em contato com diferentes formas de produzir arte. “Não temos pretensão de profissionalizar os estudantes, mas a gente dá um nível de trabalho quase profissional, com equipamento adequado, palco, iluminação, sonoplastia”, explica Samara. Entre uma apresentação e outra, o ENEX mostra, assim, que a extensão também pode ocupar o palco e que a cultura não aparece apenas como complemento da programação, mas como parte do que é construído nos Institutos Federais.

Clébio Melo, jornalista do IFPB Campina Grande Com apoio de Melyssa Rafaela Souza da Silva, estudante do curso Técnico em Informática Integrado – Campus Picuí