Economia solidária ganha espaço no ENEX 2026
Feira reuniu 45 grupos de diferentes cidades da Paraíba com alimentos, artesanato, arte e iniciativas de geração de renda
Doces artesanais, bolinhos de goma e outros alimentos feitos à base de trigo dividiam espaço com vestidos de crochê, bijuterias, peças de decoração, canecas personalizadas e ímãs de geladeira. Nas laterais da Praça do Povo, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, as bancadas formaram um corredor de sabores, cores e diferentes formas de produzir. Ao todo, 45 grupos de várias cidades da Paraíba participaram da Feira de Economia Solidária do 8º Encontro de Extensão e Cultura dos Institutos Federais na Paraíba (ENEX 2026).
A diversidade dos produtos ajuda a traduzir a proposta da economia solidária, modelo que coloca as pessoas e a cooperação no centro da produção e da geração de renda. São iniciativas em que o trabalho coletivo, a participação nas decisões e a valorização de quem produz ganham importância ao lado da comercialização. Na feira, esse princípio aparecia tanto nos alimentos preparados artesanalmente quanto nas roupas e objetos de crochê, pinturas, peças de decoração e outros trabalhos feitos pelos próprios expositores.
Em uma das bancas estavam os produtos da Sabor de Mãe, empreendimento de Josivaldo Barbosa de Lima. Há três anos, ele também integra um grupo que reúne atividades de artesanato e gastronomia. Josivaldo atua na segunda área e levou ao ENEX parte da produção artesanal da Sabor de Mãe. “Eu tenho biscoito de café, tenho biscoito de nata, tenho biscoitos integrais e outras variedades de biscoitos. Todos feitos artesanalmente e à mão”, conta. Além dos biscoitos, o empreendimento trabalha com bolos e salgados.
Algumas bancas revelavam também histórias em que produzir significa encontrar realização pessoal. Oneide Pires Alves integra há mais de quatro anos um formado por três mulheres que desenvolvem atividades diferentes, reúnem-se para organizar o trabalho e participam juntas de feiras. Entre tantos produtos artesanais expostos na Praça do Povo, a especialidade escolhida por ela foi a pintura em tecido. “Eu pinto tecido e me realizo naquilo que eu faço”, resumiu.
Já a Associação Cultural de Mulheres Capoeiristas levou à feira uma experiência que aproxima organização coletiva e conhecimento. Criada em Rio Tinto (PB), em 2014, a Associação nasceu da mobilização de mulheres capoeiristas interessadas em desenvolver ações próprias e discutir questões como relações de gênero e racismo. “Ela surge primeiramente para a gente poder fazer ações voltadas e pensadas por mulheres, para que a gente também pudesse ter essa autonomia dentro do grupo”, explica a cofundadora Ana Margarida de Jesus. Na feira, trabalhos de conclusão de curso produzidos pelas integrantes serviram de ponto de partida para divulgação científica e conversas sobre autores não brancos, epistemologia e correntes teóricas. O espaço também reuniu produtos de colaboradoras da associação, entre elas mães atípicas.
A Feira de Economia Solidária fez parte da programação ENEX, realizado de 11 a 13 de agosto, em João Pessoa, pelo IFPB e pelo Instituto Federal do Sertão Paraibano. O evento reuniu estudantes, servidores, parceiros sociais e comunidades em mostras, oficinas, apresentações culturais e outras atividades de extensão e cultura. Ao fim dos três dias, aquilo que ocupou as laterais da imensa Praça do Povo ajudou a contar uma parte do próprio encontro. Dos alimentos preparados à mão às peças de crochê, das bijuterias aos trabalhos acadêmicos, cada bancada mostrava algo sobre quem estava por trás dela. Em 45 espaços, o ENEX reuniu diferentes maneiras de transformar conhecimento, habilidade e trabalho coletivo em produtos e mostrou que, na economia solidária, vender é apenas uma parte do que está sobre a mesa.
*Clebio Melo, jornalista do IFPB Campina Grande Com apoio de Maria Clara Gurgel de Queiroz, estudante de Meio Ambiente – Campus Sousa



