Dignidade, autonomia e inclusão social

História de quilombola simboliza impacto do projeto Lavanderias Coletivas Agroecológicas

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Há pouco mais de duas décadas, a rotina de Diana Barbosa era marcada por longas caminhadas sob o sol do semiárido para buscar água. Moradora da comunidade quilombola Serra do Abreu, em Nova Palmeira (PB), ela percorria cerca de três quilômetros para conseguir água para beber, lavar roupas e cuidar dos animais. Hoje, aos 41 anos, ela vê a realidade da comunidade ser transformada por meio da implantação de uma lavanderia coletiva agroecológica, tecnologia social que promete reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico e ampliar as oportunidades para as mulheres do campo.

A história de Diana representa o propósito do projeto Lavanderias Coletivas Agroecológicas, lançado oficialmente no último dia 30 de junho, no Campus Picuí. A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e pelo Ministério das Mulheres e busca promover autonomia, inclusão social e qualidade de vida para mulheres camponesas de assentamentos e comunidades quilombolas do semiárido.

"Eu nasci e me criei na agricultura. Quando cheguei à comunidade, em 2002, percebi que muitas pessoas tinham ido embora, principalmente por causa da falta de recursos hídricos. Não tinha energia elétrica, era tudo muito difícil. Só existiam três famílias morando na comunidade", relembra Diana.

Segundo ela, a transformação começou quando a comunidade foi reconhecida como quilombola pela Fundação Cultural Palmares, possibilitando a criação da associação de moradores e o acesso a políticas públicas. "Com a organização, a comunidade renasceu das cinzas. Foi nesse contexto que o IFPB chegou até nós. O mais interessante foi a forma como esse projeto chegou, valorizando a coletividade. Essa lavanderia ecológica não é só uma lavanderia. Ela vai trazer muitos benefícios, inclusive para o nosso psicológico. Além da geração de renda, será um apoio na valorização de nós mulheres, que teremos mais tempo para cuidar de nós mesmas."

Para Diana, o projeto representa também um incentivo para que as novas gerações permaneçam no campo. "Eu sempre digo que o IF é uma instituição muito próxima das comunidades, que mostra na prática suas atividades. Uma coisa é estar somente dentro da sala de aula, outra é estar junto do agricultor. Essas tecnologias são o futuro da nossa comunidade. São melhorias que vão fazer com que meus filhos e meus netos permaneçam aqui, trabalhando na agricultura familiar."

Extensão que transforma territórios

Durante a cerimônia de lançamento, a pró-reitora de Extensão e Cultura, Josi Batista, destacou que iniciativas como essa demonstram a força da extensão universitária na transformação social. "A extensão está se consolidando e se tornando cada vez mais forte. É muito gratificante observar, num trabalho como esse, a participação efetiva da comunidade e dos nossos estudantes. São muitas ações que têm feito nosso Instituto caminhar de forma muito integrada às comunidades, porque estamos aqui para contribuir com os territórios."

O coordenador do projeto, Antônio Queiroz, ressaltou que a proposta vai além da construção das unidades. "Esse projeto não nasceu apenas para construir lavanderias. Ele nasceu para construir oportunidades e trazer dignidade para as comunidades rurais do semiárido paraibano. Ele fala de dignidade, autonomia e inclusão social."

Para o diretor-geral do Campus Picuí, Hermano Cavalcanti, a iniciativa reforça a missão institucional do IFPB. "Nós estamos aqui para executar aquilo que a sociedade espera de uma instituição como a nossa: uma educação pública, gratuita e de qualidade, mas também ações de pesquisa e de extensão. A extensão faz nossa instituição chegar lá na ponta, naqueles que mais precisam. Essa é a missão do IFPB."

O deputado federal Luiz Couto, que destinou recursos por meio de emenda parlamentar para o projeto, destacou a importância do investimento público em iniciativas voltadas às necessidades das comunidades. "Temos que parabenizar e agradecer a todas as pessoas que trabalharam nesse projeto. Fico muito contente que, por meio da emenda parlamentar, tivemos mais condições para continuar esses projetos no IFPB. É um orçamento investido numa instituição que aplica recursos em ações como essa e cuida daquilo que as comunidades mais necessitam."

Verônica Rufino – Proexc

Fotos: Melyssa Rafaela – estudante do Campus Picuí