IFPB incentiva participação de mulheres e meninas na ciência
Em 2025, instituição registrou 148 projetos coordenados por pesquisadoras
Em 2025, o Instituto Federal da Paraíba (IFPB) registrou 148 projetos de pesquisa e inovação coordenados por mulheres. Os dados são da Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação (PRPIPG), que tem investido em programas e ações para ampliar e fortalecer a presença feminina nas ciências.
Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de promover o acesso e a participação equitativa do público feminino nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês).
Para a pró-reitora da PRPIPG, Silvana Cunha Costa, a celebração dessa data é relevante por reforçar a importância de motivar mulheres e meninas, mostrando que elas podem seguir carreira na ciência, "inclusive nas ciências exatas e engenharias, onde a presença masculina ainda é predominante".
A pró-reitora destaca que o estímulo à participação em cursos STEM deve ser permanente. Ela ainda aponta a necessidade de democratizar o acesso às bolsas de produtividade em pesquisa, que hoje são majoritariamente destinadas a homens. “É preciso focar nesse tema de forma contínua para que mais políticas públicas sejam realizadas para impulsionar a carreira das cientistas”, reforça.
Silvana Costa lembra que, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 57% dos estudantes matriculados em universidades eram mulheres em 2022. “A realidade da ascensão acadêmica das mulheres, no entanto, é marcada por muitos desafios e políticas públicas precisam ser realizadas para que estes desafios possam ser vencidos”, avalia.
Um dado interno do IFPB ilustra esse cenário desafiador: atualmente, apenas 32% do total de pesquisadores do Instituto são mulheres, o que corresponde a 775 pesquisadoras, entre docentes e estudantes. “Isso demonstra que a maioria ainda é masculina”, ressalta a pró-reitora. “E o dia de hoje é uma oportunidade de mostrar que as mulheres são capazes de estar onde quiserem e promover caminhos que realmente viabilizem suas carreiras nesse caminho”, afirma.
De acordo com a diretora de Pesquisa da PRPIPG, Deyse Morgana Correia, o estereótipo de que as áreas STEM são masculinas é uma barreira histórico-cultural a ser vencida no espaço acadêmico. “Isso depende de um ambiente menos ríspido e discriminatório para as mulheres que têm afinidade com engenharias, exatas e computação”, acredita.
Para ela, seja na formação (quando as meninas e mulheres têm suas capacidades desacreditadas ou sendo excluídas de processos de socialização), seja no mundo do trabalho (ao receberem menos oportunidades e terem cargos e salários aquém de suas qualidades e em comparação aos homens), as poucas mulheres que enveredam nas áreas STEM sofrem violências de variadas esferas e precisam lutar contra elas todos os dias.
“Estudo e trabalho tornam-se rotinas desgastantes que esgotam essas mulheres, em vez de promoverem a autorrealização profissional. A presença de mais mulheres nesses espaços pode criar uma rede de apoio e representatividade que acolha e auxilie na desconstrução de estereótipos e das dificuldades de atuação feminina nessas áreas. De forma ampla, a maior presença feminina nas áreas STEM também pode trazer ampliação e diversidade no direcionamento das soluções científico-tecnológicas a partir da visão feminina sobre os problemas e necessidades da sociedade”, acrescenta Deyse Correia.
Instituto fomenta divulgação de trabalhos de mulheres e meninas cientistas
Ao longo do tempo, o Instituto Federal da Paraíba vem adotando estratégias para ampliar a visibilidade e o suporte às pesquisadoras da instituição. Entre as iniciativas, destaca-se a criação da sessão de trabalhos "Meninas Cientistas" no Simpósio de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação (Simpif), a partir de 2023, com o objetivo de reunir e divulgar a produção feminina.
O Instituto também segue critérios de equidade na avaliação de produtividade, como as normas das agências de fomento nacionais que levam em consideração a licença-maternidade na avaliação do currículo das pesquisadoras. Tais regras permitem a extensão em um ano do prazo contabilizado para pontuação no currículo. “O benefício é voltado a quem registrou licença-maternidade na Plataforma Lattes dentro do período de avaliação de produtividade estabelecido em edital, explica a diretora de Pesquisa Deyse Correia.
Além disso, ações de ensino, pesquisa e extensão são desenvolvidas no IFPB tendo as alunas e professoras como protagonistas da ampliação da participação feminina nas áreas STEM, dentro do Instituto e nas escolas parceiras em oito municípios paraibanos.
Fomento à pesquisa - No campo do incentivo financeiro, o IFPB foi contemplado em duas linhas de fomento (individual e nacional) da Chamada CNPq/MCTI/MMulheres nº 31/2023, voltada para meninas nas áreas de ciências exatas, engenharias e computação. Os recursos destinados somam R$ 461,6 mil para o projeto individual e R$ 317,5 mil para o nacional.
Segundo a diretora Deyse Correia, essa atuação visa ao envolvimento de meninas e mulheres no desenvolvimento científico e tecnológico nas áreas de ciências exatas, engenharias e computação por meio de ingresso, permanência e ascensão nos itinerários formativo e profissional com autonomia e empoderamento.
Projetos diversos - Entre os 148 projetos coordenados por mulheres no IFPB, há pesquisas em áreas como microbiologia, computação, engenharias, química e história. Os temas incluem desde o uso de sistemas IoT no ensino a distância e o cultivo de Ipês-Amarelos até o desenvolvimento de testes para detecção do vírus Oropouche e estudos sobre povos indígenas na Paraíba colonial.
Um dos destaques é o sistema de sensores para reabilitação de pacientes que sofreram AVC, projeto orientado pela professora Késia Farias e apresentado na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2025, em João Pessoa.
No evento, as estudantes Dandara Torquato e Ana Clara Araújo mostraram ao público que a inovação é um sistema de duas luvas que operam como "mestre e escrava". A luva de sensores, vestida pelo fisioterapeuta, espelha o movimento para a luva do paciente, que contém o exoesqueleto e estimula a reabilitação motora. O projeto, desenvolvido há três anos por uma equipe de pesquisadores, busca oferecer uma alternativa tecnológica de baixo custo para otimizar processos fisioterapêuticos.
Acesse aqui a lista completa de projetos de pesquisa liderados por mulheres no IFPB - 2025
Inovação com equidade – Na área da inovação, o Instituto tomou uma importante iniciativa de equidade de gênero em 2025 ao abrir inscrições exclusivas para estudantes mulheres na trilha Computing do torneio interno visando à escolha de participantes para a Huawei ICT Competition 2025-2026. Segundo o professor Michel Coura Dias, idealizador da competição local e integrante do Polo de Inovação, a medida é uma ação afirmativa necessária e que está “alinhada às políticas institucionais e nacionais de promoção da equidade de gênero”.
E a ideia deu certo: há uma semana, foram divulgadas as equipes classificadas para a fase nacional da competição, promovida pela multinacional Huawei. O IFPB integra a lista com um time formado por Clara Alcântara, Anna Milagres Albino de Oliveira e Maira Fernandes, sob a mentoria da professora Anne Karine Alves.
Texto e fotos Angélica Lúcio - jornalista da DGCOM/IFPB | Arte: Ana Júlia Leite, estagiária da DGCOM




