IFPB promove inclusão digital para mulheres e comunidades na Paraíba

Programa de Educação Digital “Lourdes Sales Macedo” atendeu cerca de 180 estudantes nos campi Patos, Cajazeiras, Pedras de Fogo, Picuí, Cabedelo Centro e Monteiro

Estudantes beneficiadas pelo programa do IFPB no Campus Cabedelo Centro

“Eu não sabia nada de computador. Como eu vou trabalhar sem saber o básico de informática?” A preocupação de Severina Florêncio, dona de casa e moradora do município de Cabedelo, reflete uma realidade alarmante sobre letramento digital no Brasil. Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024, apontam que apenas um em cada quatro brasileiros (23%) de 15 a 64 anos tem altas habilidades digitais, independentemente do seu nível de alfabetismo ou educacional.

Como forma de promover a inclusão digital, fortalecer a formação cidadã e ampliar o acesso qualificado às tecnologias digitais, especialmente para públicos historicamente afastados dessas oportunidades, o IFPB realiza o Programa de Educação Digital (PED) “Lourdes Sales Macedo”. O programa foi desenvolvido e executado nos campi Patos, Cajazeiras, Pedras de Fogo, Picuí, Cabedelo Centro e Monteiro, atendendo cerca de 180 estudantes.

“Ao longo de sua implementação, o programa contribuiu para o desenvolvimento de competências digitais essenciais, ampliando as possibilidades de participação social, educacional e profissional dos estudantes atendidos. Mais do que o ensino de ferramentas tecnológicas, o PED se consolidou como uma iniciativa de formação crítica para o uso consciente das tecnologias, fortalecendo a autonomia, a cidadania digital e o protagonismo dos participantes”, ressaltou Alexsandra Chaves, diretora de Extensão Tecnológica,

Dona Severina foi uma das beneficiadas do PED no Campus Cabedelo Centro e já está na expectativa das novas ações do programa. “Quero que esse curso aconteça novamente para que eu possa aprender cada vez mais”, frisou. Realizado em parceria com a prefeitura de Cabedelo, através da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana, o programa atendeu mulheres de diferentes níveis sociais e escolaridade.

Wilza Queiroz também participou do programa e comenta a diferença que o curso de letramentro digital representou em sua vida. “Antes, eu não possuía muita prática no uso da Internet. Durante o curso, além de aprender conceitos básicos gerais, eu aprendi também sobre navegação segura, a identificar conteúdos confiáveis, por exemplo. Hoje eu tenho autonomia e integração dentro dos espaços digitais de convivência. O curso me trouxe uma nova visão, uma oportunidade de ampliar e melhorar meus estudos em todas as áreas. Sou muito grata ao IFPB”.

A instrutora do programa no campus, Bruna Taveira, destaca a superação diária das beneficiadas. “Em muitos momentos, nós dizíamos a elas o quanto aprendíamos com elas também. Era muito motivador ver essa superação cotidiana delas para participar do curso e o valor e o potencial que elas viam nesse programa. Foi muito transformador ver essa força de vontade e essa troca genuína de carinho, exercitando uma pedagogia de afetividade que consiste em você reconhecer a limitação técnica do outro, mas, para além disso, enxergar o poder que aquilo pode ter na vida delas”.

“Eu vejo esse projeto como uma iniciativa extremamente necessária e transformadora. O letramento digital hoje não é apenas uma habilidade técnica, mas uma ferramenta essencial de cidadania, autonomia e acesso a oportunidades. Essa parceria é muito importante porque une políticas públicas com a excelência da educação federal, garantindo qualidade, acolhimento e impacto social real. É um exemplo de como investir em mulheres é investir no desenvolvimento de toda a sociedade, gerando transformação não só individual, mas coletiva e duradoura”, afirmou Anelize Guedes, secretária da Mulher de Cabedelo.

Em 2026, a proposta é prosseguir com as atividades e aperfeiçoar o programa, a partir da avaliação dos resultados já alcançados. Dentre as ações a serem realizadas destacam-se a ampliação das turmas, alcançando novos públicos e fortalecendo a capilaridade do programa nos territórios atendidos, e o fortalecimento do impacto social do programa, articulando o PED com ações de extensão, inclusão social e desenvolvimento local.

DGCOM/IFPB com texto deVerônica Rufino - Proexc