Comunidade do IFPB recebe Grupo de Trabalho para discutir possível criação do IF Sertão Paraibano
Iniciativa busca subsidiar regulamentação do Projeto de Lei que propõe nova instituição federal de ensino técnico na Paraíba
Toda mudança gera impactos na vida das pessoas, com repercussões tanto individuais quanto coletivas. Diante dessa realidade, e considerando a possibilidade concreta de criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano (IF Sertão PB), por meio do Projeto de Lei (PL) nº 1/2026, o Instituto Federal da Paraíba (IFPB) instituiu um Grupo de Trabalho com o objetivo de escutar a comunidade acadêmica, especialmente servidores e estudantes diretamente impactados pela eventual mudança institucional.
Nesse contexto, a iniciativa, construída a partir de encaminhamentos do Colégio de Dirigentes (Codir), deu início, nos dias 28 e 29 de janeiro, ao processo de escuta junto às comunidades dos campi de Cajazeiras, Sousa, Catolé do Rocha e Patos.
A agenda teve como finalidade acolher sugestões e contribuições da comunidade, de modo a subsidiar o processo em curso, que aguarda deliberação no Congresso Nacional. Na próxima semana, as visitas contemplarão os campi de Soledade, Monteiro, Princesa Isabel e Itaporanga.
Em todas as unidades visitadas, registrou-se participação efetiva da comunidade, com apontamentos, sugestões e propostas que serão sistematizadas pelo GT e apresentadas como subsídios técnicos ao normativo de regulamentação, caso o Projeto de Lei venha a ser aprovado. Entre os temas mais recorrentes nas reuniões destacaram-se a mobilidade interna de servidores, os processos de pesquisa e extensão, além de questões relacionadas a orçamento e infraestrutura. Também foi pontuado pelos participantes o receio quanto à possível precarização da Rede Federal.
Após a conclusão das escutas, será elaborado um relatório propositivo, que será encaminhado à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do MEC (Setec/MEC) e ao Parlamento, com o objetivo de contribuir para a regulamentação da possível nova instituição federal de ensino na Paraíba.
A metodologia adotada pelo GT inclui a apresentação de um breve histórico de projetos correlatos, seguida da discussão estruturada a partir dos cinco eixos temáticos definidos: Orçamento, Infraestrutura e Finanças; Gestão de Pessoas e Mobilidade; Gestão Administrativa e Institucional; Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação; e Comunicação, Transparência e Escuta Social.
Para a reitora Mary Roberta Meira Marinho, a gestão do IFPB tem o compromisso de acolher, sistematizar e representar, junto ao Ministério da Educação e ao Parlamento, as demandas apresentadas pela comunidade acadêmica, resultantes do trabalho de escuta iniciado para tratar da possível criação do IF Sertão Paraibano.
"As contribuições colhidas nos campi visitados são subsídios fundamentais para qualificar o processo em andamento, especialmente no que se refere à preservação de direitos, ao fortalecimento institucional e à garantia de uma transição responsável
A reitora ressaltou que "a pauta da mobilidade dos servidores se apresenta como um ponto de consenso entre os participantes das escutas" e deve ser tratada com prioridade e sensibilidade, de modo a assegurar segurança jurídica, estabilidade funcional e respeito às trajetórias profissionais. "Falo também a partir da minha própria vivência, como sertaneja, natural de Patos e egressa desta instituição, o que reforça o compromisso da gestão em atuar de forma ativa para que essas preocupações sejam consideradas nas instâncias decisórias competentes”, afirmou.
Segundo o presidente do GT, Anderson Bráulio, o momento institucional vivido pelo IFPB contribui para o estabelecimento de um diálogo qualificado com as instâncias envolvidas no processo, especialmente considerando que, nos termos do Projeto de Lei, a regulamentação caberá ao Poder Executivo.
"Esse diálogo é fundamental para apresentar e fundamentar tecnicamente as proposições construídas a partir da escuta da comunidade, respeitada a autonomia decisória dos órgãos competentes", disse. Anderson Bráulio também contextualizou que a possível criação do IF Sertão Paraibano se insere em um cenário mais amplo de retomada dos investimentos federais na Educação Profissional e Tecnológica, conduzida pela atual gestão federal.
Comunidade acadêmica defende nova instituição com respeito a direitos
Para a comunidade acadêmica, a criação da nova instituição é vista como benéfica, desde que sejam observadas as peculiaridades regionais, garantido o bom funcionamento dos campi e a preservação dos direitos dos servidores. A importância da formalização do GT e da condução institucional do processo também foi ressaltada, conforme evidenciam os relatos a seguir:
A importância da formalização do GT e da condução institucional do processo também foi ressaltada, conforme evidenciam os relatos a seguir:
“Minhas perspectivas como sertanejo são as melhores. Entendemos a importância de uma instituição como essa, pois ela abre novas oportunidades de desenvolvimento para a nossa região. O IF Sertão representa um novo leque de possibilidades para toda a comunidade. Estamos satisfeitos com a forma como esse processo complexo vem sendo conduzido pelo GT, especialmente por sua força política. O que desejamos é que essa transição seja o menos traumática possível para nós, servidores, e que não se concretize à custa do sacrifício de ninguém”. Ronaldo Lima - Diretor-geral do Campus Patos.
“Quero destacar a importância dessa ação de ouvir a comunidade, registrando cada questão apresentada para que este projeto seja construído de forma segura para a nossa região e para a instituição. Um projeto tão importante e complexo não pode ser conduzido à revelia da avaliação institucional e da opinião da comunidade acadêmica. Essa iniciativa vai nos subsidiar na formalização do posicionamento que será apresentado ao MEC e aos parlamentares”. Abinadabe Andrade - Diretor-geral do Campus Cajazeiras.
“A constituição deste GT é fundamental. Com a contribuição de todos os servidores, será possível, junto ao MEC, construir um processo de transição harmônica que contemple os anseios da comunidade acadêmica. Teremos uma reitoria no Sertão, olhando para o Sertão paraibano”. Felipe Lucena - Professor do IFPB.
“A presença do GT é imprescindível, pois permite ouvir as demandas, necessidades e até as angústias da comunidade. A partir desse compilado de escutas, o GT poderá construir um documento consistente, capaz de atender às nossas demandas. Esse processo contribui para a construção de mecanismos que tornem o ambiente de trabalho um espaço de bem viver, perspectiva na qual estamos avançando”. Francisco Nogueira (Chicão) - Diretor-geral do Campus Sousa.
“Trata-se de um projeto de grande relevância para a nossa região. Esse encontro promovido pelo GT, voltado à escuta, à aproximação e ao diálogo, busca reunir esforços e informações para subsidiar as instâncias responsáveis pela regulamentação do novo instituto”. João de Deus - Diretor-geral do Campus Catolé do Rocha.
“Entendo a criação do IF Sertão PB como uma alternativa para delimitar uma área de abrangência menor, com a possibilidade de direcionar mais recursos para a região. Acredito que essa iniciativa pode resultar na criação de novos campi em cidades que ainda não contam com educação de qualidade da Rede Federal”. José Neto - Estudante do Campus Catolé do Rocha.
Texto e fotos: Ernani Baracho, jornalista do IFPB








