Aula inaugural do curso “A panela de barro é tudo pra gente” aconteceu nesta terça (03)

O curso valoriza e resgata a cultura tradicional das Louceiras do Talhado de Santa Luzia

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O curso de Formação Continuada do Programa Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais, orientado pela professora Dra. Tatiele Souza, do IFPB Campus Santa Luzia, começou nesta terça-feira, dia 03. O curso terá aulas presenciais e on-line na sede do Campus e na associação das Louceiras do Talhado e ainda visitas técnicas à cidade de João Pessoa.

De acordo com Tatiele, “a aula inaugural foi um momento especial de encontro, aprendizado e valorização dos saberes tradicionais”. O curso é destinado a profissionais da educação e à comunidade quilombola, com aulas até o mês de abril. As cursistas receberão uma bolsa no valor de R$ 200 mensal até a conclusão do curso.

O objetivo central do curso de extensão “A panela de barro é tudo pra gente” é difundir e valorizar os saberes e práticas ancestrais da arte em barro, a partir dos ensinamentos da mestra e líder Gileide Ferreira. Ela ensinará às alunas sua arte em barro, com a produção de peças em miniaturas, na perspectiva das Louceiras Negras do Quilombo do Talhado.

Para a professora Tatiele Souza, um dos objetivos centrais do curso, “é valorizar economicamente o trabalho desenvolvido pela mestra Gileide Ferreira e sua assistente. Como também desenvolver nas cursistas a compreensão da perspectiva decolonial e contracolonial na produção dos saberes, da arte e da vida”.

A matriz curricular do curso traz disciplinas teóricas como Introdução à cultura Quilombola, História e memória das Louceiras Negras do Talhado e, claro, disciplinas práticas de técnicas de modelagem, queima e acabamento das peças, dentre outras.

A cursista Luzia de Fátima Carneiro, é quilombola e filha de uma das trabalhadoras do galpão das Louceiras e se inscreveu no curso para se especializar mais na arte em barro. “Minha mãe não sabe ler nem escrever, mas ainda sim faz peças divinas, ela me ensinou a fazer algumas dessas peças e é muito bom poder fazer o curso para poder aprender um pouco mais. Sei que nesse espaço poderei aprender mais  sobre como foi criada a associação das Louceiras pois, mesmo sendo filha de uma dessas trabalhadoras eu não tinha esse conhecimento”. No curso, Fátima busca o empoderamento para ter a “confiança de poder me expressar melhor diante da nossa cultura, e através desse conhecimento saber responder perguntas sobre, explicar melhor para outros quem somos, e ensinar caso alguém queira saber como fazer uma peça”, disse.

Luzia Silva, nascida na comunidade quilombola Serra do Talhado, quis participar do curso devido seu interesse particular em tudo que envolve o universo das artes. “Lá no Talhado, a arte está em nosso sangue”. Para ela, a aula inaugural foi um momento de conhecer as colegas e professoras e se familiarizar com o ambiente.

“Ontem eu entendi porquê a panela de barro é tudo para a gente. Já na aula inaugural eu compreendi como as louceiras do Talhado são fundamentais para a perpetuação da história de suas antepassadas. Vi mulheres fortes de todas as idades que estão lutando em nome de sua história. Sou grata ao IFPB por essa oportunidade”, disse Ana Cássia.