PULSAR 2026 promove debates sobre gênero e incentiva mulheres a ocuparem espaços na ciência e no esporte

Oficinas discutem representatividade feminina, defesa pessoal e desconstrução de padrões de masculinidade por meio de atividades práticas e rodas de conversa

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O PULSAR 2026 abriu espaço para discussões sobre representatividade feminina, autonomia das mulheres e desconstrução de padrões de masculinidade. Por meio de oficinas e rodas de conversa, o evento promove reflexões sobre a presença das mulheres na ciência e no esporte, além de incentivar o questionamento de comportamentos construídos socialmente.

A programação reúne atividades que vão do design de placas de circuito impresso ao jiu-jítsu e às rodas de conversa sobre masculinidades. Apesar das diferenças entre os temas, as iniciativas têm um ponto em comum: questionar estereótipos e mostrar que mulheres e homens podem construir novas formas de ocupar espaços e se relacionar.

Mulheres na ciência: representatividade também importa

No primeiro dia do PULSAR, na quarta-feira (14), o minicurso "Introdução ao Design de PCI (Placas de Circuito Impresso)" aproximou os participantes de conhecimentos técnicos utilizados no desenvolvimento de circuitos eletrônicos. A atividade foi promovida pelo projeto Elas na Ciência e pelo Grupo de Robótica Educacional Livre (GREL), com a participação da professora Kesia Cristiane dos Santos Farias e das estudantes Renata Pamella Bernardo Ferreira e Rebeca Meirelly Alves Gomes como ministrantes.

Além de apresentar os fundamentos do design de placas de circuito impresso e suas aplicações em disciplinas e projetos acadêmicos, o minicurso deu visibilidade à atuação feminina na tecnologia. Para Kesia, essa presença precisa ser percebida pelas meninas desde cedo, para que elas também se reconheçam como possíveis cientistas.“Elas precisam se ver representadas para entender que podem ocupar todos os lugares”, destaca a professora.

A representatividade também está presente nas ações realizadas pelo grupo em escolas, onde as integrantes apresentam os cursos do IFPB e procuram despertar o interesse de meninas pelas áreas científicas e tecnológicas. A ideia é aproximar essas estudantes de novas possibilidades de formação e mostrar, na prática, que elas podem desenvolver projetos e construir carreiras nesses campos.

Jiu-jítsu para elas: lugar de mulher também é no tatame

A discussão sobre a presença feminina em espaços tradicionalmente associados aos homens continuou nesta quinta-feira (15), com a oficina "Jiu-jítsu para Elas: seu lugar é no tatame", ministrada por Ana Lúcia Fernandes de Moura, faixa-marrom da modalidade.

A atividade apresentou o jiu-jítsu como uma possibilidade de aprendizado em defesa pessoal, destacando que a prática não se limita às técnicas de luta. A proposta também envolve desenvolver consciência sobre situações de risco e ampliar a autonomia das participantes.

“O jiu-jítsu vai muito além da luta. Estamos aqui desenvolvendo esse trabalho, ensinando também a consciência sobre a defesa pessoal”, explica Ana Lúcia, ao destacar a importância de trabalhar também a consciência sobre a defesa pessoal.

Ao levar essa discussão para o PULSAR, a oficina incentiva meninas e mulheres a conhecerem a modalidade e a ocuparem o tatame. A iniciativa também amplia o entendimento sobre o esporte, que pode contribuir para o desenvolvimento da confiança e para o reconhecimento das próprias capacidades.

Repensar a masculinidade também é parte da conversa

Se uma das oficinas incentiva as mulheres a ocuparem espaços, outra convida os homens a refletirem sobre os comportamentos que aprenderam a considerar parte da masculinidade.

Na atividade "Entre Estereótipos e Identidade: Repensando as Masculinidades", os ministrantes Gabriel dos Santos Félix, José Aldecyano Lino Gomes e Paulo Nunes Martins da Silva conduziram a roda de conversa sobre padrões sociais, masculinidade tóxica e a importância de reconhecer e expressar sentimentos.

A proposta tem atenção especial aos adolescentes, uma vez que a construção desses valores começa cedo. Durante a oficina, a discussão busca mostrar que os homens não precisam esconder suas emoções ou enfrentar todas as dificuldades sozinhos para corresponder às expectativas da sociedade.

Pedir ajuda, falar sobre o que sentem e reconhecer as próprias vulnerabilidades também fazem parte de relações mais saudáveis. Ao abrir espaço para esse diálogo, a atividade incentiva os estudantes a questionarem comportamentos naturalizados e a refletirem sobre como eles afetam a convivência com outras pessoas.

A conversa também aponta para a importância de trabalhar essas questões com as novas gerações, contribuindo para que os jovens construam outras referências sobre o que significa ser homem.

Da ciência ao esporte, passando pelas relações sociais, as atividades mostram a diversidade de temas que compõem o PULSAR 2026. Mais do que apresentar conteúdos específicos, as oficinas estimulam os participantes a questionar ideias estabelecidas, compartilhar experiências e conhecer outras perspectivas.

Ao colocar essas discussões em circulação dentro do ambiente educacional, o evento reforça a importância de uma formação que também considere a diversidade, o respeito e a participação de todos nos diferentes espaços da sociedade.

Kayck Jesse, estagiário de jornalismo do IFPB