Palestra do PULSAR debate o protagonismo das mulheres na ciência e tecnologia
Convidadas compartilharam experiências e discutiram desafios relacionados à inclusão, ao acesso a direitos, à transformação digital e à valorização das relações humanas.
A participação das mulheres na ciência e tecnologia e os desafios para ampliar seu protagonismo foram o centro dos debates da palestra de abertura do PULSAR 2026, realizada nesta quarta-feira (14), no Auditório José Marques, no IFPB Campus João Pessoa. Com o tema “Mulheres na ciência e tecnologia: protagonismo, conexões e transformação”, o encontro reuniu profissionais de diferentes áreas para compartilhar experiências e refletir sobre como o conhecimento pode contribuir para transformar realidades.
A atividade foi mediada pela professora Andrea Samara Santos de Oliveira Gomes, do IFPB Campus João Pessoa, que atua na Rede Paraibana de Meninas na Ciência. Na abertura, ela convidou o público a refletir sobre quem são as pessoas que fazem ciência e tecnologia e se as mulheres são reconhecidas como parte desse processo. Andrea destacou a importância de reconhecer a capacidade de cada mulher de construir a própria história, fazer escolhas e ocupar espaços, além de fortalecer soluções coletivas. Para ela, a ciência e a tecnologia vão além dos laboratórios: também estão presentes nas políticas públicas, na liderança e no diálogo necessário à transformação social.
A gerente executiva na área de Produtos e de Serviços Bancários do Banco do Nordeste do Brasil, Isabelly Carneiro Marcelino Andrade Araújo, abordou o empreendedorismo feminino e a capacidade das mulheres de desenvolver iniciativas que movimentam a economia e fortalecem as comunidades. Ela citou experiências de mulheres quilombolas que investem no turismo e na culinária para atrair visitantes e promover o desenvolvimento local. Isabelly ressaltou que essas trajetórias mostram como as mulheres podem transformar suas realidades e inspirar outras a conquistar novos espaços.
A relação entre gênero, acesso à água e saneamento básico foi o tema apresentado por Mirella Leôncio Motta e Costa, professora do IFPB Campus João Pessoa. Ela observou que a gestão dos recursos hídricos no Brasil costuma priorizar obras e aspectos técnicos, mas precisa considerar também as dimensões sociais desse direito fundamental. A falta de acesso à água e ao saneamento afeta de maneira particular as mulheres, que ainda assumem grande parte das responsabilidades de cuidado. Mirella destacou que essa desigualdade também repercute na renda e nas condições de vida, especialmente das mulheres negras, e defendeu a compreensão da água como um símbolo de cidadania.
Joanacelle Caldas de Melo, gerente executiva de Conectividade e Inclusão Digital da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Paraíba, compartilhou sua trajetória pessoal e profissional. Primeira mulher formada em Engenharia de Computação na Paraíba, ela relatou que precisou escolher entre contribuir para a renda familiar e estudar na universidade. A experiência, marcada pela busca de melhores condições de vida para si e para as pessoas ao seu redor, também foi construída com o apoio de uma bolsa do CNPq. Ao falar de sua atuação na transformação digital do estado, Joanacelle lembrou a implantação do sistema PBDoc durante a pandemia, que reduziu a circulação de documentos físicos e ajudou a evitar riscos de contaminação. Ela também destacou a importância de enfrentar os desafios profissionais sem se deixar limitar pela opinião alheia e de inspirar outras pessoas a construir um futuro melhor para a Paraíba e o Brasil.
A psicóloga Gilda Maria Sandes Veloso, professora formadora na Secretaria de Educação do Estado da Bahia, trouxe para o debate a necessidade de preservar a dimensão humana em meio ao avanço tecnológico. Com a reflexão “Quem cuida do humano enquanto o mundo acelera?”, ela chamou a atenção para a importância de reconhecer as próprias limitações, ouvir os estudantes e compreender as pessoas para além das informações que produzem ou recebem. Gilda relacionou essas reflexões à pedagogia da sensibilidade e alertou para os impactos do excesso de informações e da conexão constante sobre a cognição e a saúde das novas gerações. Para ela, o desafio é avançar tecnologicamente sem deixar a humanidade em segundo plano.
O encontro também reforçou a importância de ampliar oportunidades, enfrentar desigualdades e construir uma ciência e uma tecnologia comprometidas com as necessidades da sociedade
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Daniela Espínola – jornalista do IFPB


