IFPB João Pessoa terá curso de Licenciatura em Física a partir de 2027

Nova formação terá 60 vagas anuais divididas em dois semestres e vai funcionar a noite

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O Campus João Pessoa vai implantar o curso de Licenciatura em Física, nova graduação que terá 60 vagas anuais, sendo 30 por semestre, com aulas no período noturno. A previsão é que as atividades tenham início no semestre de 2027.1. A nova formação está em processo de consolidação, com a elaboração do Projeto Pedagógico de Curso (PPC) e últimos ajustes para a viabilidade.

A criação do curso surgiu a partir de discussões sobre a ampliação da oferta de licenciaturas no Campus e da necessidade de contribuir para a formação de novos professores de Física. Segundo o professor Carlos Alberto de Souza Filho, um dos docentes envolvidos na construção da proposta, "existe uma carência estrutural de professores com formação específica em Física atuando na educação básica, tanto no ensino fundamental quanto no médio".

A construção do curso passou por diferentes etapas e precisou ser revista durante o processo. O professor Jônatas Costa Bezerra, que assumiu a coordenação da comissão responsável pela proposta, explica que o grupo já havia avançado na elaboração do PPC quando, em maio de 2024, a Resolução CNE/CP nº 04 trouxe novas exigências para a organização das licenciaturas no país. A partir disso, foi necessário reestruturar o projeto, incluindo a matriz curricular e a carga horária.

O processo de revisão também serviu para definir uma proposta de formação mais próxima da realidade da profissão. Desde o primeiro período, os estudantes terão contato com o Estágio Supervisionado, que seguirá ao longo da graduação.

A matriz curricular articula conhecimentos específicos de Física e Matemática com conteúdos voltados à prática docente, incluindo disciplinas como Didática Aplicada ao Ensino de Física, Tecnologias Educacionais, Instrumentação para o Ensino e Pensamento Computacional.

Para Jônatas, a proposta é fazer com que a identidade profissional do futuro professor seja construída desde o início da graduação. “A ideia é que o estudante não precise esperar os últimos períodos para começar a entender o que significa ser professor de Física”, destacou ele. A organização do curso busca, dessa forma, aproximar o conhecimento específico da área das práticas pedagógicas e da realidade encontrada nas escolas.

A proposta também prevê a aproximação dos licenciandos com as escolas de educação básica por meio de estágios e programas de iniciação à docência. Para Carlos Alberto, essa experiência é fundamental para que o futuro professor conheça os desafios encontrados no cotidiano escolar e desenvolva diferentes estratégias para trabalhar os conteúdos. Entre as possibilidades estão o uso de simulações computacionais, tecnologias educacionais e experimentos de baixo custo.

A necessidade de novos profissionais também aparece nos dados utilizados para a elaboração do curso. Conforme o estudo de viabilidade realizado pela Comissão de Implantação, 54% das turmas de Física do Ensino Médio no Brasil eram atendidas por professores com formação adequada. Em João Pessoa, embora o percentual seja melhor, cerca de 30% das turmas ainda não contavam com um professor com formação adequada na área.

Nesse cenário, a expectativa dos professores envolvidos é que os futuros licenciados contribuam para ampliar o número de docentes disponíveis e para modificar a relação dos estudantes com a disciplina. A proposta é formar profissionais capazes de trabalhar a Física estimulando a curiosidade, o pensamento crítico e o interesse pela ciência.

Para o Campus João Pessoa, a implantação representa também a ampliação de seu conjunto de licenciaturas. A unidade já oferece cursos de formação de professores em Matemática, Química e Letras, e a chegada da Física amplia essa atuação para a área de Ciências da Natureza.

A implantação da Licenciatura em Física representa, assim, mais um passo na consolidação do IFPB como espaço de formação de professores e produção de conhecimento. O novo curso reforça a integração entre ensino, pesquisa e extensão e amplia as possibilidades de atuação da instituição na formação de profissionais que poderão levar esse conhecimento para outras escolas e para a sociedade.

Kayck Jesse, estagiário de jornalismo do IFPB