Feira de Ciências do IFPB João Pessoa destaca mulheres cientistas
Estudantes dos cursos técnicos integrados apresentaram trabalhos sobre o tema “Ciência Delas Para Todos”, no Pulsar 2026
Estudantes dos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio do IFPB Campus João Pessoa participaram, nesta sexta-feira (16), terceiro dia do Pulsar 2026, da segunda edição da Feira de Ciências. Com o tema “Ciência Delas Para Todos”, os trabalhos apresentaram ao público a trajetória de mulheres que marcaram a história da ciência e experimentos desenvolvidos pelos próprios alunos.
A Feira é uma atividade de divulgação científica em que os estudantes trabalham com autonomia e criatividade para mostrar a sua visão do que é ciência. Segundo a professora Lucila Karla Felix Lima de Brito, coordenadora da atividade, a iniciativa ainda está no começo.
Para a professora, a Feira funciona como um grande laboratório, tanto de práticas de ensino quanto de práticas de aprendizagem. Os professores orientam os estudantes e avaliam as apresentações, enquanto os alunos assumem o papel principal. “O aluno se torna protagonista na sua própria aprendizagem”, afirma.
O tema da edição levou os estudantes a pesquisar a presença feminina na produção científica. Segundo Lucila, o resultado foi inovador até para ela. “Sempre existiram mulheres cientistas e pesquisadoras, só que nesse processo elas foram invisibilizadas”, destaca.
A professora lembra que o trabalho das mulheres na ciência é anterior à organização do método científico. “Quem produzia ciência, quem produzia remédios, quem observava os ciclos da natureza eram as mulheres”, diz. Para ela, descobrir essa história tornou o tema ainda mais importante para os estudantes.
Trabalhos apresentados
Um dos trabalhos, na área de artes visuais, apresentou um desenho em que as principais contribuições de várias cientistas estavam representadas nos cabelos da personagem. Foram retratadas:
- Lise Meitner, física que ajudou a explicar teoricamente a fissão nuclear;
- Maria Goeppert Mayer, física que estudou as camadas atômicas e os chamados números mágicos;
- Henrietta Swan Leavitt, astrônoma que estudou as estrelas variáveis cefeidas, usadas para medir distâncias no Universo;
- Dorothy Vaughan, matemática e primeira supervisora negra da agência que antecedeu a NASA, que contribuiu para o avanço da exploração espacial;
- Marie Curie, química e física que pesquisou a radioatividade e descobriu os elementos rádio e polônio;
- Annie Jump Cannon, astrônoma que criou um sistema de classificação das estrelas;
- Mary Jackson, matemática e primeira engenheira aeroespacial negra da NASA;
- Hedy Lamarr, atriz de Hollywood e inventora, que desenvolveu com o compositor George Antheil um sistema de comunicação por salto de frequência;
- Rosalind Franklin, química cujas imagens de raios X foram fundamentais para a descoberta da estrutura do DNA;
- Barbara McClintock, geneticista que descobriu os elementos genéticos móveis, os chamados “genes saltadores”.
Outro grupo dedicou a apresentação a Lise Meitner e à sua contribuição para a teoria da fissão nuclear, explicando o processo e sua importância nos dias de hoje. A fissão ocorre quando o núcleo de um átomo muito pesado é atingido por um nêutron, fica instável e se divide, liberando energia e outros nêutrons, que provocam uma reação em cadeia.
A Feira também teve experimentos práticos. Um dos grupos mediu a capacidade de infiltração da água no solo pelo método dos anéis concêntricos, que registra o tempo e a quantidade de água absorvida. Os estudantes observaram que a infiltração é bem maior no início e se mantém constante perto do ponto de saturação, quando o solo não absorve mais água. No experimento, a velocidade de infiltração chegou a 136,3 centímetros por hora.
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Daniela Espínola – jornalista do IFPB




