Arte e cultura são destaque nos minicursos e oficinas do PULSAR 2026
Programação inclui oficina de xilogravura e minicurso sobre a história do rock e sua relação com a juventude
Além das atividades de ciência e tecnologia, a programação do PULSAR 2026 reúne oficinas e minicursos que exploram diferentes expressões artísticas e culturais. A "Oficina de Xilogravura" valoriza a arte nordestina e o resgate de memórias pessoais, enquanto o minicurso "É apenas rock and roll, mas eu gosto: início e desenvolvimento (1950-1970)" aborda a história do rock e sua relação com a juventude e as transformações sociais.
Realizada no Laboratório de Artes Visuais, a Oficina de Xilogravura é ministrada pela professora Idália Beatriz Lins de Sousa e pelo artista Lucas Ferreira Lopes. A atividade acontece em dois dias e combina conhecimentos teóricos e prática artística, desde a apresentação dos materiais e das técnicas até a gravação de imagens em madeira e sua posterior impressão em papel.
A proposta vai além do aprendizado técnico. A oficina busca valorizar a xilogravura como expressão da cultura nordestina e incentivar os participantes a desenvolverem suas próprias produções artísticas. “A gente traz como uma oportunidade não só de difundir a arte, mas também de oportunizar que os participantes possam desenvolver uma produção autoral”, explicou Idália.
Nesta edição, a atividade tem como tema as memórias da infância. A ideia é que cada participante escolha lembranças importantes de sua trajetória e transforme essas experiências em imagens. Segundo a ministrante, a ideia é aproximar as pessoas da arte e mostrar que elas também podem produzir e se expressar por meio dela.
“A proposta da nossa oficina não é só trabalhar a técnica, mas também trabalhar a poética artística de cada um”, destacou Idália. Dessa forma, a criação das gravuras envolve tanto o domínio dos materiais quanto a expressão das experiências e dos sentimentos de cada participante.
Arte, memória e identidade
A escolha da infância como tema também permite relacionar a produção artística à memória individual e à cultura de cada pessoa. Idália explicou que a xilogravura tem uma relação com a representação do cotidiano, dos costumes e das tradições. “Os artistas sempre estão ali representando algo do cotidiano, algo da cultura do local, de onde eles vivem”, afirmou.
A proposta também prevê uma exposição com os trabalhos produzidos na oficina. Mesmo partindo de um tema igual, as obras devem apresentar diferentes interpretações, pois cada participante traz suas próprias lembranças e experiências. “Apesar de que a gente está trabalhando no mesmo tema, a gente vai perceber que cada um vai ter uma leitura diferente, porque cada um tem sua história, sua memória”, explicou a ministrante.
Para Idália, essa diversidade de interpretações faz parte da experiência artística. Ao trabalhar com as memórias da infância, a oficina incentiva os participantes a reconhecerem suas vivências como fonte de criação e a perceberem que a arte pode ser uma forma de expressão pessoal e coletiva.
A música também aparece como uma forma de compreender a cultura e a sociedade. O minicurso "É apenas rock and roll, mas eu gosto: início e desenvolvimento (1950-1970)", ministrado por Fabrício de Sousa Morais, discute a trajetória do rock entre as décadas de 1950 e 1970 e sua relação com a juventude.
A atividade propõe refletir sobre o rock para além do entretenimento, considerando a música como uma manifestação cultural relacionada à identidade e ao pertencimento social. O gênero também é abordado no contexto das transformações vividas pela juventude no período posterior à Segunda Guerra Mundial, quando os jovens passaram a construir formas próprias de expressão e identificação.
A relação entre as duas atividades está na compreensão da cultura como parte da vida em sociedade. Enquanto a xilogravura permite transformar lembranças e referências culturais em imagens, o estudo do rock mostra como a música expressa comportamentos, identidades e mudanças sociais.
Com essas iniciativas, o PULSAR 2026 amplia as experiências oferecidas ao público e reconhece a cultura como parte da formação e da produção de conhecimento. As atividades valorizam diferentes formas de expressão e criam oportunidades para que os participantes conheçam novas linguagens artísticas, compartilhem experiências e reflitam sobre suas próprias relações com a cultura.
Kayck Jesse, estagiário de jornalismo do IFPB



