Estudante do IFPB desenvolve startup de recifes artificiais e se destaca no cenário de inovação

Leonel Marques conquistou o 2º lugar no Programa Centelha 3 e foi selecionada para representar a Paraíba no Web Summit Rio 2026

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A pesquisa desenvolvida no IFPB Campus João Pessoa foi o ponto de partida para a criação de uma startup que busca contribuir para a recuperação de ambientes marinhos. Leonel Marques da Silva Filho, estudante do curso de Engenharia Civil, integra a Bio Reef 3D, iniciativa que desenvolve recifes artificiais utilizando impressão 3D de concreto.

Em 2026, a startup conquistou importantes espaços no cenário de inovação. A Bio Reef 3D ficou em 2º lugar geral no Programa Centelha 3 PB e foi selecionada pelo Governo do Estado para representar a Paraíba no Web Summit Rio 2026. A iniciativa também participou do 5º Painel Paraibano de Mudanças Climáticas, com apresentações em Campina Grande e João Pessoa.

A história da startup começou antes mesmo da graduação. Leonel teve seu primeiro contato com a pesquisa durante o curso Técnico em Edificações do IFPB, quando participou de um projeto de iniciação científica sobre impressão 3D em concreto. “Essa experiência despertou meu interesse por ciência, tecnologia e inovação, que continuei desenvolvendo posteriormente na Engenharia Civil”, conta.

A tecnologia que deu origem à Bio Reef 3D surgiu a partir de uma pesquisa de doutorado desenvolvida em cooperação entre pesquisadores dos campi João Pessoa e Campina Grande do IFPB e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O trabalho estudou o uso da impressão 3D de concreto na produção de recifes artificiais.

Ao acompanhar as pesquisas e participar do desenvolvimento dos materiais e da tecnologia, Leonel percebeu que a solução poderia ir além do ambiente acadêmico.

“A possibilidade de utilizar a liberdade geométrica da impressão 3D para criar estruturas artificiais destinadas à formação de habitats e à restauração marinha chamou minha atenção”, explica.

Foi a partir desse potencial que surgiu a Bio Reef 3D. A startup busca desenvolver recifes artificiais com diferentes formatos, pensados para contribuir com a formação de habitats e a recuperação de ambientes marinhos. A proposta também envolve o uso de resíduos locais na composição dos materiais e soluções relacionadas à captura e mineralização de carbono.

Reconhecimento e novos desafios

O 2º lugar no Programa Centelha 3 PB representa um novo momento para a startup. O apoio vai permitir avançar no desenvolvimento da tecnologia, na construção e validação de protótipos.

Para Leonel, os resultados alcançados mostram que uma pesquisa desenvolvida no ambiente acadêmico pode chegar a novas aplicações. “Essas conquistas representam muito mais do que uma premiação. Para mim, elas mostram que uma tecnologia que nasceu a partir da pesquisa científica e do ambiente acadêmico pode ultrapassar os limites da universidade e se transformar em uma solução com potencial de impacto real”, afirma.

A seleção para o Web Summit Rio 2026 também abriu a possibilidade de apresentar a tecnologia desenvolvida na Paraíba a empresas, investidores, pesquisadores e outros profissionais ligados à inovação e ao empreendedorismo.

“É a oportunidade de levar uma tecnologia desenvolvida no nosso estado para um dos principais ambientes de inovação e empreendedorismo do país”, destaca Leonel.

A participação no 5º Painel Paraibano de Mudanças Climáticas, por sua vez, levou a solução para o debate sobre mudanças climáticas e sustentabilidade em eventos realizados em Campina Grande e João Pessoa.

Apesar das conquistas, o estudante destaca que ainda há etapas importantes pela frente. Entre elas estão os testes dos recifes em ambiente marinho e o aprimoramento dos materiais e formatos.

Pesquisa que se transforma em inovação

A criação da Bio Reef 3D também faz parte de uma trajetória de pesquisa e inovação desenvolvida na Engenharia Civil do IFPB. Segundo o professor Marcos Alyssandro, orientador de Leonel, a startup é a terceira iniciativa criada a partir do curso com foco na impressão 3D.

“Essa é a terceira startup que sai da Engenharia Civil com essa proposta de trabalhar com impressão 3D. Leonel também foi muito motivado pelo ambiente do laboratório, onde desenvolvemos pesquisas em inovação tecnológica, científica e para a indústria”, explica o professor.

Para Marcos, a experiência mostra a importância de aproximar a pesquisa dos problemas encontrados fora da universidade. “A ideia de inovar e criar coisas para problemas reais faz parte da nossa história”, afirmou ele.

Agora, a expectativa é avançar na validação dos recifes em ambiente real e produzir dados que permitam avaliar seus resultados. A longo prazo, a startup pretende transformar esse conhecimento em uma solução que possa ser utilizada em projetos de restauração e conservação marinha.

A trajetória da Bio Reef 3D reforça o papel do IFPB na formação de estudantes e no desenvolvimento de soluções inovadoras. A iniciativa mostra como a pesquisa realizada no Instituto pode gerar novas tecnologias, estimular o empreendedorismo e contribuir para o enfrentamento de desafios ambientais.

Kayck Jesse, estagiário de jornalismo do IFPB