Por dentro da Gestão: Pesquisa cresce no IFPB Campus João Pessoa e amplia participação de estudantes e servidores

Entre 2021 e 2025, o campus mais que dobrou o número de projetos e ampliou significativamente a participação da comunidade acadêmica

Crescimento do número de pesquisadores, de acordo com dados do DIPPED
Crescimento do número de pesquisadores, de acordo com dados do DIPPED

Em 1994, quando o então Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba ainda se chamava Escola Técnica Federal da Paraíba (ETFPB), um pequeno grupo de professores decidiu criar um espaço dedicado à pesquisa em telecomunicações. A iniciativa deu origem ao Grupo de Telecomunicações e Eletromagnetismo Aplicado (GTEMA), um dos pioneiros da instituição.

Formado inicialmente pelos professores Alfredo Macedo Gomes, Joabson Nogueira de Carvalho e Jefferson Costa e Silva, o grupo surgiu inspirado em experiências acadêmicas internacionais vivenciadas pelo professor Alfredo durante seu doutorado na França. Naquele período, a produção científica ainda não ocupava o espaço institucional que possui atualmente.

Mais de três décadas depois, o cenário é outro. A produção de conhecimento científico consolidou-se como um dos pilares da atuação do Instituto Federal da Paraíba, resultado de um processo contínuo de fortalecimento institucional, marcado pela criação de normas, editais e políticas de incentivo à produção científica.

De acordo com o professor Alfredo, a qualificação crescente do corpo docente foi um dos fatores fundamentais para essa transformação. “Gradativamente os professores do ETFPB, CEFET-PB e IFPB foram se qualificando, aumentando a quantidade de doutores e, naturalmente, a quantidade e a qualidade da pesquisa também evoluiu”, destaca.

A evolução também é percebida pelo professor José Washington de Morais Medeiros, Coordenador de Pesquisa do Campus João Pessoa. Segundo ele, o fortalecimento da produção científica é resultado de investimentos permanentes e de um trabalho sistemático no IFPB. “Esse processo resulta de uma política institucional de incentivo e investimento contínuo, associada ao trabalho de acompanhamento e apoio desenvolvido pelo DIPPED”, afirma.

Os resultados desse esforço coletivo podem ser observados em diversos indicadores. Atualmente, o IFPB conta com 193 grupos de pesquisa ativos, sendo 58 vinculados ao Campus João Pessoa. A instituição também possui 677 linhas e eixos cadastrados.

O crescimento é igualmente expressivo no número de pesquisadores envolvidos em atividades científicas. Em 2021, eram 1.318 participantes, entre estudantes e servidores. Em 2025, esse quantitativo chegou a 2.472, representando um aumento de aproximadamente 87%.

No Campus João Pessoa, a expansão também se reflete no número de projetos desenvolvidos. Em 2021, estavam ativos 68 projetos científicos. Quatro anos depois, esse número alcançou 145 iniciativas.

Crescimento do número de projetos de pesquisa 2021-2025

Para professor José Washington, esse avanço está diretamente relacionado à uma série de ações, dentre elas podemos destacar o incentivo à qualificação de docentes e técnico-administrativos em programas de pós-graduação stricto sensu e o fortalecimento de parcerias e redes de colaboração científica.

Outro indicador que demonstra esse fortalecimento é a ampliação do apoio à participação em eventos científicos. Em 2021, 39 servidores e 27 estudantes foram contemplados por editais destinados a essa finalidade. Em 2025, os números passaram para 186 servidores e 103 estudantes beneficiados, ampliando as oportunidades de apresentação de trabalhos, intercâmbio de experiências e divulgação da produção científica desenvolvida na instituição.

Os impactos desse investimento podem ser percebidos também na trajetória de ex-alunos que tiveram contato com a iniciação científica durante a formação acadêmica. Atualmente doutor e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Alexandre Scaico destaca que a experiência vivenciada no IFPB foi decisiva para sua carreira. “Foi muito importante para me mostrar como funciona a pesquisa, bem como a escrita de artigos e a participação em eventos”, relata.

Segundo ele, o contato com a atividade científica ampliou sua visão sobre as possibilidades dentro da universidade. “A experiência me mostrou outros caminhos na universidade além da sala de aula. Eu acredito que foi meu primeiro passo para me interessar pela carreira acadêmica e vir a me tornar professor”, afirma.

Para o professor Alfredo, os benefícios da produção científica vão muito além da produção de conhecimento. Segundo ele, a atividade científica mantém os docentes atualizados sobre os avanços de suas áreas, contribui para a formação dos estudantes e fortalece a capacidade institucional de captar recursos para a modernização de laboratórios e o desenvolvimento de novos projetos. “Essa atualização se reflete diretamente na qualidade da informação que é repassada para os alunos em sala de aula”, ressalta.

José Washington acrescenta que o crescimento do número de projetos e investigadores amplia o alcance social das ações desenvolvidas pelo Instituto, extrapolando os limites da instituição e alcançando comunidades, organizações e diferentes setores da sociedade. “Trata-se de um processo que promove inovação, fomenta o desenvolvimento regional e contribui para a construção de soluções para problemas reais, reafirmando o papel da pesquisa como germe de transformação social”.

Os números evidenciam uma trajetória consistente de fortalecimento das atividades científicas no IFPB Campus João Pessoa. Mais do que ampliar indicadores, esse movimento reforça a integração entre ensino, pesquisa e inovação, cria novas oportunidades de desenvolvimento acadêmico para estudantes e servidores e contribui para a construção de soluções que dialogam com as demandas da sociedade.

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Juliana Gouveia - jornalista do IFPB

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