Inteligência artificial desenvolvida no IFPB auxilia no diagnóstico precoce de AVC isquêmico
Projeto busca agilizar análise de tomografias e pode ampliar acesso ao diagnóstico, especialmente em regiões sem especialistas
Um projeto desenvolvido no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) utiliza inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico precoce de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. A tecnologia analisa imagens de tomografia e identifica padrões que podem indicar a presença do problema, ajudando profissionais de saúde a tomar decisões com mais rapidez.
De acordo com o professor Danilo Regis, coordenador do projeto, o sistema foi desenvolvido e treinado para reconhecer tanto a estrutura normal do cérebro quanto alterações associadas ao AVC isquêmico.
Segundo ele, o funcionamento é parecido com o olhar de um médico ao analisar um exame. A diferença é que esse processo, quando feito por uma pessoa, pode levar tempo. Nesse caso, o software trabalha antes mesmo do médico acessar as imagens, indicando onde pode haver um problema e ajudando na tomada de decisão.
“A ideia é ter algo que possa fazer com que o médico tenha a informação da probabilidade de um AVC o mais rápido possível, pois a tomografia demora em torno de 30 minutos. Então, com essa tecnologia, no mesmo instante, o médico já teria o alerta que ali existe algum problema e já poderia dar início ao tratamento”.
Essa tecnologia também pode ser útil em locais onde não há médicos especialistas disponíveis, permitindo que exames realizados em regiões mais afastadas sejam avaliados com o apoio da ferramenta e, se necessário, o paciente seja encaminhado para atendimento especializado. “Então, a gente pode ter o exame sendo feito numa região menos favorecida, e essa informação seria enviada para o médico por meio da tecnologia. Dessa forma, a gente consegue acelerar o processo de identificação e o diagnóstico precoce faz toda a diferença na vida do paciente”, comentou.
O foco no AVC isquêmico foi uma escolha estratégica. O tipo hemorrágico é mais fácil de identificar, pois aparece de forma mais evidente na tomografia, geralmente como uma mancha branca. Já o isquêmico apresenta mudanças mais sutis, com variações de tonalidade que vão do cinza ao mais escuro, o que dificulta a identificação.
Atualmente, o projeto já apresenta resultados consistentes em testes realizados em laboratório, utilizando imagens de clínicas e bancos de dados públicos. O estudante de mestrado Emanuel Thiago, que integra a equipe de pesquisa, destaca que a próxima etapa é levar a tecnologia para hospitais, onde será possível avaliar o desempenho em ambiente real. “Um dos nossos problemas aqui é que a gente tem poucos dados para poder alimentar o nosso sistema, então, criamos uma IA que faz geração de imagens. Mas o ideal é fazer parcerias com hospitais para testar nosso modelo em ambiente de estresse e larga escala”.
Participar do desenvolvimento de um trabalho com potencial de impactar diretamente a vida da população tem sido uma experiência enriquecedora para o estudante. Segundo ele, a pesquisa representa uma oportunidade de contribuir de forma concreta para a sociedade. "É muito enriquecedor quando penso que esse meu trabalho vai ajudar a salvar pessoas, vai ajudar vários médicos e impactar muito na vida das pessoas”, acrescentou.
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Juliana Gouveia - jornalista do IFPB


