IFPB Campus Campina Grande é a escola pública mais bem colocada da cidade no ranking do Enem 2025
Levantamento utiliza microdados do Inep sobre a participação e o desempenho dos estudantes
O IFPB Campus Campina Grande é a escola pública mais bem colocada entre as instituições de ensino de Campina Grande no ranking com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2025). O ranking considera as notas obtidas pelos estudantes nas provas objetivas e na redação. O ranking é elaborado a partir de microdados públicos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Para a diretora-geral do IFPB Campus Campina Grande, Ana Cristina Oliveira, o resultado representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela instituição e reforça a importância da educação pública. “Esse resultado representa um reconhecimento justo pelo trabalho que é desenvolvido aqui no campus e também é um motivo de muito orgulho para nós que acreditamos e valorizamos a educação pública, gratuita e socialmente referenciada”, afirma. Segundo Ana, o desempenho também está relacionado às possibilidades abertas pela formação oferecida aos estudantes. “Esse resultado também representa uma mudança de vida de vários estudantes e a abertura de novas possibilidades para eles melhorarem de vida e realizarem os seus sonhos”, acrescenta.
Entre os fatores apontados pela gestão para explicar o desempenho dos estudantes está o investimento na formação dos profissionais do campus. De acordo com a direção-geral, os docentes e os técnicos-administrativos têm a oportunidade de realizar cursos de mestrado e doutorado, inclusive por meio de afastamentos para qualificação, além da oferta de formação continuada.
Entre os diferenciais do campus está a infraestrutura, que reúne diversas ferramentas que têm o objetivo de auxiliar os estudantes durante a formação. O campus possui mais de 70 laboratórios temáticos voltados às diferentes áreas de formação, climatização e recursos audiovisuais em sala de aula, além da biblioteca física e digital, que conta com milhares de títulos e exemplares.
A permanência dos estudantes na instituição também é apoiada por ações de assistência estudantil, que buscam contribuir para o acesso, a permanência e a conclusão dos cursos. No Campus Campina Grande, a política inclui programas e serviços voltados a diferentes necessidades dos estudantes, como apoio socioeconômico, restaurante estudantil, transporte, acompanhamento pedagógico e serviços de saúde, como atendimento médico, odontológico e nutricional.
Além disso, a formação é ampliada por oportunidades de participação em projetos de ensino, pesquisa e extensão, monitorias e estágios. Essas experiências permitem que os estudantes desenvolvam conhecimentos e habilidades para além da sala de aula. No caso dos estágios, os alunos podem vivenciar situações relacionadas à área de formação e conhecer, na prática, diferentes possibilidades de atuação profissional. Já as monitorias possibilitam a participação dos estudantes em atividades de apoio ao ensino e no aprofundamento dos conteúdos acadêmicos e, além disso, o aluno pode exercitar ou descobrir a vocação para o ensino.
A proposta do ensino médio integrado à formação técnica também aparece como um dos diferenciais do campus. A formação permite que os estudantes tenham contato com uma área profissional ainda durante a educação básica, sem deixar de receber uma formação geral sólida. O campus oferece seis cursos técnicos integrados ao ensino médio: Petróleo e Gás, Informática, Química, Mineração, Edificações e Administração (EJA-EPT). Ao todo, o campus oferece 21 cursos distribuídos entre integrados, subsequentes, bacharelado, licenciatura, tecnólogo, especialização e mestrado.
Ao longo do ensino médio, o campus desenvolve ações pedagógicas que contribuem para o desenvolvimento das habilidades exigidas pelo Enem. Vanessa Lopes, Técnica em assuntos educacionais, explica que professores trabalham conteúdos e competências relacionados ao Enem desde os primeiros anos do ensino médio. No terceiro ano, segundo ela, algumas ações são intensificadas, especialmente em áreas como redação, leitura e interpretação de textos. “Os professores fazem redações para os alunos treinarem, e também aulões de revisão próximos à data do Exame”, relata. A instituição também realiza ações de acolhimento aos estudantes na semana do Exame. No ano passado, uma comissão denominada “Partiu Enem" promoveu atividades para ajudar os alunos a lidar com a tensão do período que antecede as provas.
Além disso, a coordenação pedagógica trabalha, desde o primeiro ano, aspectos relacionados à organização da rotina. Vanessa explica que os estudantes participam de uma oficina de gestão do tempo, considerando a necessidade de conciliar as disciplinas do ensino médio, a formação técnica e outras atividades acadêmicas. “Eles têm não só as disciplinas do ensino médio, mas também as disciplinas técnicas. Então, eles precisam de uma organização maior, porque é uma carga maior de disciplinas”, explica. A iniciativa também considera o equilíbrio entre os estudos e outras dimensões da vida dos estudantes.
Para Vanessa, projetos de ensino, pesquisa, extensão e monitoria também contribuem para o desempenho dos estudantes porque ampliam as experiências e o conhecimento de mundo. “O aluno ganha conhecimento de mundo quando participa de um projeto, quando vai para uma visita técnica, quando faz uma atividade de pesquisa”, afirma. Com isso, essas experiências podem ser utilizadas posteriormente na resolução de questões ou na produção de uma redação. Atualmente, o campus desenvolve 49 projetos de extensão.
A estudante Sthefany Ketyly, do 3º ano do curso técnico em Mineração, também aponta os projetos de pesquisa e extensão como experiências importantes para a formação. “Eles não ajudam apenas no desenvolvimento acadêmico, mas também no crescimento pessoal e na formação como cidadãos”, afirma. Atualmente, a estudante participa da comissão organizadora da IV DHPB, a Olimpíada de História da Paraíba, e atua como vice-representante e articuladora do Comitê Olímpico do campus.
Segundo Sthefany, conciliar as duas formações é um desafio, mas a integração entre os conteúdos pode contribuir para a preparação para o Enem. “Conciliar o ensino médio com a formação técnica é um desafio, porque são muitas disciplinas e conteúdos diferentes. No entanto, algumas matérias do curso técnico dialogam diretamente com assuntos cobrados no Enem”, explica. Ela cita como exemplo a própria formação em Mineração. “Disciplinas como Geologia e Geoprocessamento contribuem para a compreensão de conteúdos de Geografia Física. Então, apesar da rotina intensa, essa integração acaba auxiliando bastante na preparação para o exame”, afirma.
Com a média alcançada pelos estudantes no Enem 2025, o IFPB Campus Campina Grande ficou na 16ª posição entre todas as escolas avaliadas no ranking. As 15 instituições posicionadas acima do campus no ranking são escolas privadas. O resultado coloca o IFPB como a instituição pública mais bem posicionada entre as escolas de Campina Grande na classificação e reforça o destaque da instituição por oferecer uma formação que integra ensino, pesquisa, extensão e qualificação profissional.
Texto: Bianca Dantas, estagiária de Jornalismo
Revisão: Clébio Melo, jornalista do IFPB Campina
Supervisão: Júlio César Rolim

