Estudante do Campus Cajazeiras destaca desafios e conquistas na trajetória acadêmica

Em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, Carlos Alberto Rodrigues compartilha experiências sobre acessibilidade, inclusão e permanência no IFPB

Hoje, 21 de setembro de 2026, é celebrado o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência que objetiva fortalecer os direitos das pessoas com deficiência e promover o respeito e a inclusão. Oficializada pela Lei nº 11.133/2005, mas lembrado desde 1982, esta data simboliza o nascimento das reivindicações por cidadania e igualdade.

Em alusão a esta data, entrevistamos o aluno Carlos Alberto Medeiros Rodrigues, do curso de Bacharelado em Engenharia de Controle e Automação do IF Sertão Paraibano - Campus Cajazeiras.

1. Como você chegou ao IFPB e o que o motivou a escolher o Campus Cajazeiras?

O meu primeiro ingresso foi a partir do meu interesse pelo Instituto e também pelo curso técnico em Informática (INTIM), no ano de 2013 que na época só ingressava através de uma seleção de provas de Língua Portuguesa, matemática e Conhecimentos gerais, para mim foi um desafio, me preparei e finalmente realizei o meu sonho e ingressei no IFPB, buscando uma instituição que oferecesse uma formação de qualidade e boas oportunidades para o meu futuro. Escolhi o Campus Cajazeiras por ser uma instituição reconhecida e também por se localizar próxima a minha residência. Sempre tive vontade de aprender, crescer profissionalmente e conquistar minha independência. Atualmente estou cursando Bacharelado em Engenharia de Controle e Automação, ingressei a partir das notas de cotas do ENEM

2. Quais são as principais condições de acessibilidade que você precisa para estudar e participar das atividades acadêmicas?

Como sou cadeirante, preciso principalmente de acessibilidade física para me locomover com segurança e autonomia. Isso envolve rampas, elevadores quando necessários, banheiros acessíveis, portas e espaços adequados para a circulação da cadeira de rodas e acesso aos diferentes ambientes do campus. Também é muito importante que as atividades acadêmicas sejam adaptadas considerando as necessidades dos estudantes e de acordo com a deficiência. Para que ocorra de forma efetiva essa adaptação curricular, o Professor da Sala regular, elabora o PEI (Plano Educacional Individualizado), direcionado a realidade do seu aluno.

3. Como professores, orientadores, monitores, técnicos, a família e colegas têm contribuído para sua inclusão?

Professores, orientadores, monitores, técnicos,  família  e os colegas em geral, têm um papel muito importante na minha trajetória. A disposição para ajudar, ouvir minhas necessidades e buscar soluções quando encontro alguma dificuldade, contribui para que eu me sinta incluído. Para mim, inclusão também significa ser tratado com respeito, ter autonomia e participar das atividades como qualquer outro estudante, sentir a sensação de pertencimento no ambiente escolar!

4. Qual foi o maior desafio que você enfrentou como estudante com deficiência?

Um dos maiores desafios é lidar com situações em que a acessibilidade ainda não é suficiente ou quando determinado espaço ou atividade não foi pensado considerando as necessidades de uma pessoa cadeirante. Quando ingressei no IFPB, (2013), me deparei com vários desafios, mas diante da necessidade, foi ocorrendo gradativamente a minha acessibilidade, como exemplo, foram feitas rampas em todas as dependências do Campus, aquisição de cadeiras de rodas motorizadas, e outros. Mas essas dificuldades também me ensinaram a buscar meus direitos, dialogar e não desistir diante dos obstáculos.

5. Qual conquista sua durante o curso mais te deixa orgulhoso?

A maior conquista que ocorreu durante o curso foi a oportunidade de participar de um Curso extracurricular, ofertado em parceria com a Faculdade Santa Maria sobre um Curso de Treinamento de Habilidade Social (THS). A Psicóloga da época, Íria Raquel, percebendo a minha dificuldade em se socializar, me incentivou a participar desse curso, que me proporcionou um grande avanço em termo de socialização.  Outra conquista é estar e continuar estudando, avançando no curso e superando cada desafio que aparece. Tenho orgulho de perceber minha evolução, tanto nos conhecimentos adquiridos quanto na minha independência e nas conquistas de novas amizades. Cada etapa vencida representa uma conquista significativa para mim e para minha família.

6. Quais são seus planos depois de concluir o curso?

Depois de concluir o curso, quero utilizar os conhecimentos que adquiri durante toda trajetória, para construir minha carreira profissional, conquistar minha independência e continuar aprendendo. Quero também mostrar, por meio dessa minha trajetória, que uma pessoa com deficiência pode estudar, trabalhar e realizar seus projetos de vida.

7. Se pudesse deixar uma mensagem para outros estudantes com deficiência que pensam em ingressar no IFPB, o que diria?

Eu diria para não desistirem dos seus sonhos por causa da deficiência. Se vocês têm vontade de estudar e construir um futuro melhor, busquem essa oportunidade. Pode haver desafios pelo caminho, mas cada dificuldade pode ser enfrentada com determinação, apoio e diálogo. A deficiência faz parte da minha história, mas não define até onde posso chegar.

O Campus Cajazeiras conta hoje com A CLAI(Coordenação Local de Acessibilidade e Inclusão), que surgiu com o objetivo de coordenar ações pedagógicas, culturais e administrativas a fim de garantir o acesso e a permanência dos alunos com necessidades específicas. Hoje temos em nosso quadro de profissionais, Tradutores e Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais-TILSP, Pedagogos e Psicopedagogos (terceirizada), além de cuidadores para dar todo suporte necessário aos alunos com deficiência matriculados em nosso campus.

Além dos serviços de apoio, a CLAI promove eventos de conscientização a respeito da inclusão e a acessibilidade, como a semana da inclusão que acontecerá entre 21 e 26 de setembro e contará com o tema: TDAH e Transtornos de Aprendizagem – Compreender para Incluir.