No palco e na vida
Estudante do IFPB encontra no Coral de Libras uma experiência de transformação e inclusão
Quando João Paulo Monteiro ingressou no curso técnico em Informática do IFPB, em 2023, não imaginava que sua trajetória estudantil ganharia novos sentidos fora da sala de aula. Hoje, concluindo o ensino médio, ele resume sua vivência em uma palavra: transformação. E boa parte dessa mudança veio de sua participação no Grupo Artístico Coral de Libras do Campus Guarabira.
Selecionado em 2024, o estudante passou a integrar o projeto que une arte, educação e inclusão por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Desde então, o que era curiosidade se tornou aprendizado, convivência e, sobretudo, uma nova forma de enxergar o mundo.“Antes, eu tinha uma visão limitada sobre a pessoa surda. Achava, como muita gente, que ela não poderia vivenciar a música. Mas isso não é verdade”, conta João. “O surdo pode sentir, interpretar e se emocionar com a música, desde que haja acessibilidade. E é isso que o coral faz.”
Criado com o objetivo de promover a inclusão social, cultural e educacional de pessoas surdas e com deficiência auditiva, o Coral de Libras do IFPB utiliza apresentações artístico-culturais como ferramenta de sensibilização. A iniciativa, que atua desde 2017, realiza traduções de músicas e poesias para Libras, transformando cada apresentação em um encontro entre linguagens, corpos e sentidos.
“O coral aproxima surdos e ouvintes, amplia o acesso à comunicação e contribui para a formação de uma cultura mais inclusiva, dentro e fora da instituição. Além disso, desperta nos jovens o interesse pela Libras, abrindo caminhos para a formação profissional como intérpretes e fortalecendo a cidadania cultural. Nós temos exemplos concretos de alunos que iniciaram no projeto e hoje são intérpretes profissionais”, explica a coordenadora do projeto, a professora Líbna Naftali.
Para João Paulo, a vivência no coral vai muito além do aprendizado técnico. “Foi uma experiência muito marcante. Fiz amizades com pessoas surdas e ouvintes, participei de eventos, viajei e conheci outras realidades dentro da própria Rede Federal. Tudo isso contribuiu para o meu crescimento pessoal”, relata.
Segundo o estudante, essa dimensão extensionista faz toda a diferença na formação dos jovens. “A extensão tem esse papel de desenvolver o aluno para além do ensino tradicional. A gente não vive só o conteúdo da sala de aula, mas experiências que realmente transformam.”
Ao olhar para trás, João Paulo reconhece o impacto do projeto em sua trajetória. “Participar do Coral de Libras foi algo muito gratificante. Mudou minha perspectiva sobre inclusão, sobre o outro e sobre o meu papel na sociedade.”
Histórias como a dele refletem o propósito do projeto: construir uma cultura mais inclusiva, ampliar o acesso à comunicação e mostrar que a arte pode ser uma poderosa ferramenta de cidadania e transformação social.
Em 2025, o Coral de Libras foi realizado através do Edital Pró-culturas, que está com submissões abertas até o próximo dia 04 de maio. Clique aqui e confira o edital.
Verônica Rufino - Proexc


