Forrobodó democratiza o acesso à cultura

Projeto de extensão do Campus Campina Grande promove inclusão, fortalece identidades e leva arte a estudantes de escolas públicas do interior paraibano

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A democratização do acesso à cultura é um dos pilares fundamentais da educação pública. No Campus Campina Grande, o projeto de extensão Espetáculo Forrobodó exemplifica como a arte pode transcender os muros institucionais e impactar a vida de estudantes de escolas públicas e de seus familiares.

Segundo a coordenadora do projeto, Joyce Kelly Barros, um dos focos é permitir que o público adolescente de pequenas cidades do interior paraibano vivencie a cultura nordestina, o resgate da memória, assim como o hibridismo das linguagens, consolidando o projeto como um importante agente de humanização e educação integral. “Eu comecei a perceber que, nessas cidades, as questões relacionadas à cultura são muito poucas. E o projeto seria uma oportunidade desses alunos poderem participar de algo relacionado à dança, à cultura, ao teatro. Geralmente, são alunos de baixa renda que, em outras situações, não teriam condições de participar de uma escola de dança. No projeto, eles têm a oportunidade de aprender mais sobre consciência corporal e sobre questões humanísticas”.

Além do impacto territorial, o projeto também se destaca pelo acolhimento e fortalecimento de identidades, especialmente entre estudantes que encontram na arte um espaço de pertencimento e expressão. “Os alunos que participam do projeto, geralmente, fazem parte da comunidade LGBTQIA+. Essa é uma comunidade muito carente que ainda está tentando se entender, que ainda está tentando conviver com a própria família. Então, o Forrobodó é quase que uma outra família para essa comunidade”.

Para além dos resultados coletivos, o impacto do projeto também se revela nas trajetórias individuais de quem participa da iniciativa. Milena Diniz entrou no Forrobodó em 2022. Egressa do curso técnico de Mineração do campus, ela destaca a importância do projeto em sua trajetória. “Saí do IFPB, mas não saí do projeto. O Forrobodó continua sendo uma fonte de inspiração na minha vida. Ele me motiva a continuar dançando, aprendendo e acreditando no poder da arte. Continuo dando aulas de dança, continuo dançando, continuo fazendo o que lá em 2022 começou como um projeto de vida”.

Rafael Silva também é egresso do mesmo curso no campus e atua desde os 12 anos como quadrilheiro. “O forrobodó representa para mim experiência, representatividade e inovação. Sempre atuei nos tablados das quadrilhas e, por meio do projeto, pela primeira vez, me apresentei num palco de teatro. Em 2025, eu consegui fazer uma coreografia que eu mesmo tinha criado junto ao Forrobodó. Eu nunca pensei em passar de uma pessoa que somente se apresentou para uma pessoa que ensinou a outras pessoas uma coreografia. Então isso tudo foram oportunidades que o projeto me apresentou”.

Verônica Rufino - Proexc