Capacitação orienta servidores sobre escuta e proteção em supostos casos de assédio no IFPB

Evento é uma promoção da Comissão Central de Combate ao Assédio do Instituto Federal da Paraíba

Primeira capacitação do ano foi realizada no auditório da Reitoria, em João Pessoa

"Da escuta à proteção: como acolher, encaminhar com segurança e prevenir retaliações". Com esse tema, a Comissão Central de Combate ao Assédio do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) realiza até sexta-feira (10) a primeira atividade de capacitação de 2026. O evento ocorre no auditório da Reitoria, em João Pessoa.

Na quarta-feira (8), primeiro dia do evento, a psicóloga Márcia Cristini Almeida, técnica do Tribunal de Justiça da Paraíba, ministrou a palestra “Acolhimento qualificado e revelação espontânea”. Segundo a especialista, debater o acolhimento e a escuta significa “capacitar as pessoas para não revitimizar e retraumatizar, e criar uma cultura organizacional que acolha, escute e encaminhe devidamente”.

Ela destacou a relevância dessa capacitação para o IFPB. “A importância desse evento está em abrir um espaço para discutirmos e termos um lugar para escutar sobre todas as formas de violência, que vêm se disseminando e aumentando, como o bullying e os assédios moral e sexual dentro das universidades”, afirmou.

Márcia Almeida: "Debater o acolhimento e a escuta significa capacitar as pessoas para não revitimizar e retraumatizar"

A psicóloga acrescentou que sua apresentação tinha como objetivo aprimorar a capacidade de acolhimento e a escuta ativa dos servidores. “As vítimas das violência foram muito invadidas. O espaço que proporcionamos serve para acolher essas experiências e vivências, o que é muito excessivo para alguém dar conta sozinho, oferecendo um encaminhamento para que elas se sintam protegidas. Isso é de suma importância para uma instituição”, pontuou.

Na abertura, autoridades ressaltaram o combate ao assédio na instituição. A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Anna Clara Mendonça, representou a reitora Mary Roberta Meira Marinho na solenidade. “O assédio começa, por vezes, com atitudes que passam despercebidas, mas que geram uma situação de violência e de sofrimento, e não podemos deixar que isso fragilize a nossa instituição”, disse. 

A pró-reitora destacou que o cenário atual no Brasil é favorável ao enfrentamento do problema. “Temos hoje a Controladoria-Geral da União (CGU) muito próxima desse trabalho. Contamos com um plano de enfrentamento e um comitê que monitora as ações. É fundamental contribuirmos nesse caminho; a temática é pertinente para trazer mais segurança a quem atua nesse acolhimento e para quem precisa recorrer a esse acolhimento”, declarou.

A ouvidora Edezilda Alves afirmou que o evento é um marco para a instituição e relatou já ter sido vítima de assédio moral. “A gente não fez concurso para ser assediado. Eu mesma não fiz. Muito menos os alunos que chegam à nossa escola para estudar. E não pense que não acontece não, acontece. Mas o atual governo está enfrentando o problema, para que não haja mais assédio”, disse.

Lamara Fábia, presidente da Comissão de Combate ao Assédio no IFPB

A presidente da Comissão Central de Combate ao Assédio no IFPB, Lamara Fábia Silva, comentou que o evento vai além da transmissão de informações. Segundo ela, o objetivo é discutir a convivência e as situações enfrentadas pelos servidores que atuam nos Núcleos de Combate ao Assédio (Nucas), além de identificar necessidades de capacitação.

Lamara destacou que a segurança nos encaminhamentos é um aspecto fundamental. “Nosso instituto tem um protocolo, que é uma vitória da Rede de Combate ao Assédio, mas outro ponto que precisamos abordar é a retaliação. É algo muito grave e que implica uma nova denúncia no Fala.BR. Esse novo registro é tão sério que segue direto para a CGU”.

A Corregedoria do IFPB foi representada no evento pela servidora Kátia Pacheco. “Falar sobre assédio não é meramente só falar. A gente tem que também aceitar, saber que ele existe, infelizmente, e que está presente em nossas instituições. Então, é mais do que necessário estarmos hoje aqui para cuidarmos dos nossos estudantes, dos nossos servidores, de toda a comunidade. E desejo que esse seja também um momento de reflexão, para que a gente possa fortalecer nosso compromisso institucional”. 

Ainda na abertura do evento, foi exibido um vídeo do auditor interno do IFPB, Bruno Cabral, que é chefe do Núcleo de Integridade e Governança da instituição. No vídeo, ele disse que o combate ao assédio é uma questão pública emergente. “Esse tema exige uma resposta  tempestiva e coordenada. Não basta ouvir. É preciso que essa escuta esteja conectada a uma estrutura de governança, que garanta proteção e evite retaliações”, ressaltou.  

Servidores destacam importância da capacitação para fortalecer a rede de apoio 

Para a técnica Cícera Pereira (E), o treinamento ajuda a transmitir segurança aos estudantes

Participante do evento, o servidor Gutemberg Lima Davi, do campus Pedras de Fogo, destacou a importância da capacitação para fortalecer a rede de apoio e o combate ao assédio no Instituto. Segundo ele, é fundamental orientar os servidores sobre como proceder no acolhimento e na escuta das vítimas.

“Acredito que essa era uma das lacunas de edições anteriores da capacitação. É importante reiterar que este é um processo contínuo de aperfeiçoamento, diante de novas legislações, resoluções e recomendações, tanto no aspecto legal quanto normativo do IFPB”, afirmou o assistente de alunos, que também é titular da Coordenação Local de Acessibilidade e Inclusão (Clai).

A técnica do Laboratório de Física, Cícera Pereira, avalia que esse tipo de capacitação é fundamental. Integrante do Núcleo de Combate ao Assédio (Nuca) do campus Monteiro, ela destaca a importância do constante aprendizado. “Estou no Nuca há algum tempo e já tive a oportunidade de participar de outra capacitação”, afirma.

Para a servidora, o conteúdo apresentado no evento será muito útil na rotina de trabalho. “Como servidores, acabamos ficando inseguros na hora de fazer a escuta, justamente porque ela é diferente de uma conversa cotidiana com os alunos”, explica. Segundo Cícera, o treinamento ajuda a transmitir segurança aos estudantes, informando-os sobre direitos e os encaminhamentos necessários após as denúncias. “Muitas vezes, o relato começa como um desabafo. No entanto, ao receber as informações, o estudante se sente empoderado e, ao final, pede para dar continuidade ao processo”, conclui.

Texto e fotos: Angélica Lúcio - Jornalista da DGCOM/IFPB