Projeto Asa Verde transforma escolas públicas em espaços de educação ambiental e mobilização social
Ação de Extensão do Campus Santa Rita envolve escolas da rede municipal promovendo coleta seletiva, arborização e protagonismo estudantil
Promover a formação de uma cultura de cuidado com o meio ambiente a partir das escolas públicas. Esse é o principal objetivo do projeto de extensão Asa Verde, iniciativa idealizada pelo Ministério Público da Paraíba e desenvolvida no Campus Santa Rita em parceria com prefeitura local. A ação engloba atividades de educação ambiental, implantação de coleta seletiva, oficinas pedagógicas, reutilização de materiais e arborização.
“Outro ponto de vista muito forte do projeto é que ele permite discutir economia solidária, a economia circular. Na edição de 2025, ele também contou com a participação da Cooperativa de Reciclagem de Marcos Moura (COOREMM), aqui de Santa Rita. Com isso, a gente consegue mostrar a questão ambiental que passa pelo reaproveitamento dos materiais, pela redução do desperdício, pela valorização de quem trabalha com esse processo. Então, o estudante ele começa a entender que o resíduo não é só algo que se joga fora. Existe uma dimensão social, econômica e ambiental por trás disso”, explica André Silva, coordenador técnico do projeto.
Um dos grandes destaques da iniciativa é protagonismo estudantil. Estudantes do curso de Meio Ambiente do campus atuam como multiplicadores ambientais, conduzindo oficinas, palestras, atividades práticas e ações de mobilização nas escolas. Nycolle Lisboa participou do projeto como estagiária e destaca a importância do Asa Verde na sua formação acadêmica e pessoal. “O projeto mostrou-se para mim como um solo fértil, onde eu podia lançar minhas sementes do conhecimento que adquiri durante todo o curso. Também foi um campo onde me vi desafiada e incentivada a explorar habilidades das quais não imaginava que possuía. Como consequência de tudo isso, extraí bastante aprendizado deste processo. O ambiente também produziu em mim uma troca de saberes significativa, ao passo que ministrava aquelas capacitações de educação ambiental, também aprendia a olhar o mundo através das lentes sensíveis de uma criança. Sem sombra de dúvidas, parte do que me tornei hoje é um pouco do que vivenciei trabalhando ativamente dentro do Asa Verde”.
Em 2025, o Asa Verde foi desenvolvido em 10 escolas da rede municipal de Santa Rita, alcançando diferentes territórios do município e envolvendo diretamente estudantes do ensino fundamental, professores, gestores escolares e comunidade. “Foi um privilégio receber esse projeto. Nossa escola realizou diversas ações pertinentes, dentre elas, uma caminhada com toda a comunidade escolar, com distribuição de mudas doadas pela prefeitura. Em cada parada, existiam os pontos estratégicos para plantio. Foi uma experiência ímpar, maravilhosa. O projeto foca no protagonismo estudantil e no fortalecimento da relação entre escola e meio ambiente. Nós fomos privilegiados com esse projeto maravilhoso, que eu espero que ele continue, tenha continuidade, porque os nossos alunos fizeram, inclusive, resgate de valores humanos, como respeito, amor, dedicação”, ressalta Sandra Andrade, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Jaime Lacet.
A promotora Miriam Vasconcelos, do Ministério Público da Paraíba destaca os resultados do projeto. “Em 2025, tivemos resultados extremamente significativos na execução desse projeto. Mais de 4.700 estudantes foram diretamente impactados com a sua execução. Ao todo, foram mais de 2.200 ações socioambientais, além do plantio de mais de 1.200 árvores nativas e, sim, claro, com muito impacto para os catadores de material reciclável, já que tudo foi destinado para eles, para a cooperativa. Eu queria registrar que o importante realmente não são só os números. É essa mudança de comportamento. É perceber que os alunos passam a influenciar as famílias e a comunidade em que vivem e eles se tornam verdadeiramente agentes mirins de transformação ambiental. Tornam-se, eu diria mesmo, ativistas ambientais”.
Sobre esses resultados, Inakã Barreto, diretor de Desenvolvimento de Ensino do campus e coordenador-geral do projeto, ressalta que “o projeto é um exemplo claro que trabalhar de forma intersetorial, de forma cooperada (com parceiros como o Ministério Público, a prefeitura e a cooperativa de catadores do Marcos Moura) faz com que a gente tenha esse alcance, tenha esses resultados. Então, cooperação talvez seja a palavra que define o que gerou esses resultados”.
Verônica Rufino - PROEXC


