Gestores veem criação do IFSertãoPB como marco para autonomia e desenvolvimento regional

Congresso aprovou projeto que desmembra o IFPB para criar nova instituição com sede em Patos; texto seguiu para sanção presidencial no dia 16 de março

A aprovação do Projeto de Lei 5.874/2025 pelo Congresso Nacional foi recebida pela comunidade acadêmica como um passo decisivo para a descentralização administrativa e o fortalecimento da educação profissional. A proposta cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano (IFSertãoPB) a partir do desmembramento do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). O texto foi encaminhado para sanção da Presidência da República no dia 16 de março.

De acordo com a reitora do IFPB, Mary Roberta Meira Marinho, a iniciativa soma recursos para o estado e proporciona uma estrutura administrativa mais eficiente. A gestora ressaltou que a proposta garante um prazo de dez anos para a remoção interna de servidores entre as duas instituições, ponto que era alvo de preocupação da categoria.

“Esse resultado é fruto de um trabalho de escuta à comunidade, realizado por meio de audiências públicas presenciais conduzidas por um grupo do nosso Colégio de Dirigentes. Também ouvimos, em diversos momentos, o sindicato, que promoveu audiências. Conseguimos assegurar que, durante dez anos, tenhamos autorização para realizar essa remoção pelo processo que já é aprovado internamente no IFPB", afirmou.

Para os diretores-gerais dos campi do IFPB situados no Sertão, a mudança representa mais do que uma alteração burocrática: trata-se de uma estratégia para aproximar a gestão das vocações econômicas e sociais da região.

“A iniciativa consolidará uma educação de qualidade para o território, refletindo diretamente em crescimento econômico. Além da expansão regional, nossa grande preocupação é com os servidores”, destacou a diretora-geral do campus Princesa Isabel, Jordância de Lucena, em referência ao direito de mobilidade para docentes e técnico-administrativos.

Avanço estratégico - O diretor-geral do campus Santa Luzia, Jerônimo Andrade da Nóbrega, avalia que a divisão do IFPB não representa uma ruptura, mas um avanço estratégico para fortalecer ainda mais a educação profissional em nosso estado. "A criação do IF Sertão Paraibano surge com o propósito de descentralizar a gestão, ampliar a autonomia administrativa e aproximar a tomada de decisões das realidades locais dos municípios do Sertão".

Ele acrescenta que a mudança deve significar melhor distribuição de recursos, maior capacidade de expansão (com mais cursos, projetos e investimentos para os estudantes) e gestão mais focada na realidade sertaneja, com valorização da cultura, economia e necessidades territoriais, além do fortalecimento da identidade regional. “Pois as políticas pedagógicas e estruturais passam a ser pensadas a partir da vida, da vocação e das potencialidades do Sertão”, explica. 

Estrutura robusta - Já o diretor-geral do campus Itaporanga, Ridelson Farias, classificou a aprovação como um momento histórico que atende a uma demanda antiga dos sertanejos. Segundo ele, a instituição já nasce com uma estrutura robusta.

“A instituição nasce com sete campi consolidados, o que lhe confere ampla capacidade de articulação e impacto social imediato. Na minha avaliação, trata-se de um avanço significativo que, além de fortalecer a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, amplia as oportunidades para os estudantes e impulsiona o desenvolvimento do Sertão", disse.

Políticas pedagógicas - A nova estrutura institucional deve permitir políticas pedagógicas mais alinhadas ao desenvolvimento regional. “A criação do IF Sertão Paraibano será um marco de enorme relevância para a educação pública na Paraíba”, avalia Abinadabe Silva Andrade, diretor-geral do campus Cajazeiras.  

Ele destaca que a autonomia possibilitará uma atuação mais integrada. "Tal medida consolida institucionalmente uma presença federal ainda mais forte no território, o que possibilita estratégias alinhadas às vocações locais, fortalecendo a interiorização com mais oportunidades para a juventude e para trabalhadores do Sertão. “E cria as condições para uma atuação integrada em ensino, pesquisa e extensão, o que impacta diretamente o desenvolvimento regional, a inovação e a inclusão no Sertão”.

Demandas locais - Para o diretor-geral do Campus Sousa, Francisco Nogueira, a criação do IFSertãoPB otimiza a Rede Federal ao reduzir o número de unidades por reitoria, facilitando a gestão e o acompanhamento das demandas locais. Ele avalia que o atual modelo do IFPB, com 25 campi, atingiu o limite administrativo devido à distância geográfica.

“A partir da criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano, podemos pensar políticas institucionais que fortaleçam a construção do conhecimento e a formação de pessoal, além do desenvolvimento de tecnologias para atender às demandas do sertão e às necessidades específicas na solução de problemas das cidades e do campo no sertão da Paraíba”.

Correção de desigualdades - A aprovação do PL que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano também é vista como um marco para a correção de desigualdades regionais e o fortalecimento da educação pública de qualidade na região, conforme o diretor-geral do campus Catolé do Rocha, Francisco João de Deus. 

“Como cidadão sertanejo, nascido e criado numa cidade de 4 mil habitantes no interior potiguar, desde 2016 servidor do IFPB, catoleense por adoção e observador das necessidades do Sertão da Paraíba, entendo que a nova autarquia fortalece ainda mais a presença da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica nessa parte do território, ampliando oportunidades, promovendo o alinhamento às vocações econômicas e particularidades dos nossos municípios, reparando um legado histórico de carreamento de recursos para os grandes centros do estado”, declarou João de Deus.

Conquista histórica - A criação do Instituto Federal do Sertão da Paraíba foi classificada pelo diretor-geral do campus Patos, José Ronaldo de Lima, como uma conquista histórica para a educação do interior do estado. Segundo o gestor, a nova instituição reforça a missão social dos institutos federais, que atuam em diversos níveis de ensino com impacto direto no desenvolvimento regional.

“Esse é um presente sem precedentes para o Sertão. Estamos confiantes de que, a partir da sanção presidencial, trabalharemos para que o IF Sertão Paraibano gere bons frutos e profissionais qualificados para o estado e para o país, pois o conhecimento não conhece fronteiras”, celebrou o gestor.

Proposta aprovada estabelece período de transição administrativa

O projeto de criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano foi apresentado pelo Poder Executivo em 2 de janeiro de 2026, com o objetivo de fortalecer a interiorização da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. A proposta original (PL 1/2026 ) foi incorporada ao Projeto de Lei 5.874/2025, aprovado pela Câmara dos Deputados em 3 de fevereiro. Posteriormente, no dia 10 de março, a matéria foi aprovada no Senado Federal.

A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação (MEC) está formalizando um grupo de trabalho (GT) para tratar da criação do novo instituto. O IFPB integrará o grupo para apresentar as demandas e potencialidades da nova autarquia.

Após a sanção presidencial, haverá um período de transição administrativa para a instalação oficial da Reitoria e para a consolidação da identidade institucional da nova unidade da Rede Federal no estado. O cargo de reitor do IFSertãoPB será preenchido inicialmente em caráter pro tempore, por meio de ato do Ministério da Educação. A consulta à comunidade escolar para a indicação do reitor definitivo deverá ocorrer no prazo de cinco anos.

A sede do IFSertãoPB será instalada no município de Patos. A estrutura da nova instituição deve ser composta por sete campi atualmente vinculados ao IFPB: Cajazeiras, Catolé do Rocha, Itaporanga, Patos, Princesa Isabel, Santa Luzia e Sousa.

Texto: Angélica Lúcio/jornalista da DGCOM/IFPB  | Imagem: Waldemir Barreto/Agência Senado