Tijolo sustentável produzido por pesquisadores do IFPB ganha patente

Tecnologia desenvolvida em parceria com a UFRN utiliza resíduos da mineração, da britagem de rochas e do processamento da mandioca

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Pesquisadores do IFPB Campus João Pessoa e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) conquistaram mais uma patente, trata-se de um tijolo sustentável produzido a partir da combinação de resíduos industriais e agrícolas. A concessão foi feita pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no dia 3 de março de 2026.

O estudo foi liderado pelo professor Wilson Acchar e contou com a participação dos docentes do IFPB Sandra Helena Fernandes Nicolau (aposentada em 2019) e Vamberto Monteiro da Silva, além do doutorando Ricardo Eugênio Barbosa Ramos Filho, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) da UFRN.

O pedido de patente foi depositado em 16 de setembro de 2019 e, após análise técnica do INPI, teve a concessão oficial confirmada em 2026.

De acordo com o professor Vamberto Monteiro, a iniciativa surgiu da preocupação da equipe com os impactos ambientais provocados pela extração de matérias-primas usadas na construção civil. Pesquisas anteriores do grupo já haviam resultado na concessão de três patentes utilizando o solo como matriz dos compósitos. No entanto, diante dos impactos ambientais causados pela retirada desse material, os pesquisadores passaram a estudar alternativas.

“Após diversos experimentos, conseguimos produzir um tijolo prensado a partir da combinação de resíduos e cimento”, explica o professor.

Os pesquisadores testaram diferentes combinações até chegar à composição atual do tijolo, produzido com cimento Portland e três resíduos: scheelita, pó de pedra e manipueira. A scheelita é gerada na extração de tungstênio na mina Brejuí, em Currais Novos. O pó de pedra vem da britagem de rochas em Macaíba, enquanto a manipueira é um efluente, substância líquida proveniente do processamento da mandioca.

Para testar o material, em 2019 os pesquisadores construíram pequenas estruturas experimentais na UFRN. Uma delas, feita com os tijolos sustentáveis, permanece exposta às condições climáticas e continua resistente.

Segundo os pesquisadores, o novo tijolo apresenta vantagens em relação aos materiais tradicionais da construção civil. Os tijolos cerâmicos convencionais exigem a extração de argila e passam por queima em altas temperaturas, processo que contribui para a degradação do solo e para o alto consumo de energia.

Já a tecnologia desenvolvida pela equipe utiliza resíduos da mineração, da britagem de rochas e do processamento da mandioca. Além disso, a manipueira substitui a água potável na mistura, o que representa uma alternativa importante para regiões com escassez hídrica, como o Nordeste.

Os testes indicaram que o material possui propriedades físicas e mecânicas semelhantes às dos tijolos convencionais, com boa resistência, absorção de água adequada e durabilidade.

Outro aspecto importante da pesquisa é o reaproveitamento de resíduos que, em muitos casos, seriam descartados no meio ambiente. A indústria da construção civil consome grande quantidade de matérias-primas e energia, além de gerar resíduos que podem contaminar o solo e o lençol freático quando descartados de forma inadequada.

Com a tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores, esses materiais passam a ser utilizados na produção de tijolos ecológicos, contribuindo para reduzir impactos ambientais e incentivar práticas mais sustentáveis na construção civil.

Para que soluções como essa possam ser aplicadas em maior escala, os pesquisadores destacam a importância da criação de normas técnicas nacionais que regulamentem a produção e o uso de materiais alternativos, além de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento e a adoção de tecnologias sustentáveis no setor.

Texto: Kayck Jesse, Estagiário
Revisão: Daniela Espínola, Jornalista