O protagonismo de mulheres negras no IFPB Campus João Pessoa

Para o Dia Internacional da Mulher, destacamos a representatividade que fortalece a educação pública com diversidade

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O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um momento de reconhecimento das conquistas sociais, políticas e profissionais das mulheres, além de reflexão sobre os desafios que ainda persistem. O IFPB é uma instituição pública de ensino comprometida com a transformação social, onde essa data é o momento ideal para valorizar trajetórias que reforçam a diversidade e a representatividade.

Neste ano, o IFPB Campus João Pessoa destaca o protagonismo de mulheres negras na instituição, com experiências de mulheres que, por meio da educação, ocupam espaços historicamente negados e contribuem para a construção de uma instituição mais justa, plural e inclusiva.

A presença de mulheres negras em ambientes acadêmicos e institucionais é um avanço coletivo. Em uma sociedade marcada por desigualdades, ocupar esses espaços significa ampliar horizontes, inspirar novas gerações e fortalecer a luta por equidade.

Jhenifer Cristina Minervino da Silva, estudante do 4º ano do curso técnico em Controle Ambiental, destaca que estar aqui é um marco simbólico para as mulheres negras.

“Para mim, ser uma mulher negra nessa instituição é uma conquista, uma vitória. Muitas vezes mulheres como eu não ocupam esses espaços, então estar aqui é motivo de orgulho. É ocupar um lugar que foi negado a muitas mulheres negras, inclusive a familiares próximos. Mais do que tudo, é um ato de resistência”, afirmou.

Segundo ela, a educação tem um papel central na transformação de realidades. “Através do conhecimento, podemos construir um futuro que muitas não puderam alcançar e contribuir para a luta de um grupo que é marginalizado e desvalorizado. Cada conquista minha também carrega a força de quem veio antes de mim.”

Entre as inspirações dentro da instituição, Jhenifer destaca a psicóloga Pamella, que, segundo ela, apoiou as iniciativas estudantis voltadas para a valorização da negritude. “Ela foi quem nos ouviu quando tivemos a iniciativa de realizar movimentos em prol da negritude, como o Novembro Negro. Isso fez com que nos sentíssemos representados dentro da instituição”, contou ela.

Para outras estudantes, Jhenifer deixa a seguinte mensagem “Aproveitem não só a oportunidade acadêmica, mas também todas as experiências que a instituição oferece. Que nunca se escondam ou se calem. Ocupar espaços também é uma forma de resistência.”

A trajetória da servidora Bruna Araújo de Souza, que atua na Coordenação de Controle Acadêmico (CCA), revela a força da coragem e do recomeço.

Bruna é carioca e antes de ingressar no serviço público, construiu uma carreira de 15 anos na área da logística na iniciativa privada. “Em 2017, após um período de desemprego, decidi resgatar aquele sonho que sempre viveu em mim. Recomecei meus estudos para concursos e escolhi o Nordeste como novo lar”, contou.

Ela chegou a João Pessoa em fevereiro de 2019 e, no mesmo ano, foi nomeada para o IFPB. “Durante seis anos atuo no controle acadêmico, acompanhando os processos de entrada e saída dos alunos. Vivo de perto momentos de alegria como matrículas e formaturas. Essa instituição não forma apenas profissionais, forma cidadãos e transforma histórias”, afirma.

Para ela, “ser mulher negra no serviço público é ocupar espaços que historicamente nos foram negados, abrir caminhos e representar tantas outras que vieram antes de nós e as que ainda virão.”

Bruna segue investindo em novos sonhos. Aos 45 anos, voltou a estudar e iniciou o curso de Direito. “Aprendi que não existe idade para recomeçar, nem prazo de validade para nossos sonhos.” 

Já a professora de Biologia Lucila Karla Felix Lima de Brito, do Campus João Pessoa, construiu uma trajetória marcada pela curiosidade científica.

O interesse pela biologia surgiu ainda na infância, influenciado pela relação da família com a natureza. “Sempre tive interesse pela natureza desde criança, estimulada pelos interesses de leitura do meu pai e pelas práticas de cultivo e medicina natural da minha mãe”, contou.

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde também concluiu mestrado em Genética e Biologia Molecular,  acumulou experiências em pesquisa, docência e atuação profissional em instituições na área de gestão ambiental portuária.

Apesar da diversidade de experiências, a docência se consolidou como um espaço de realização. “É na interação com os estudantes que tenho a melhor oportunidade de aprender Biologia e buscar as melhores formas de ensinar. Isso me dá grande satisfação”, destaca.

Para Lucila, a docência é uma oportunidade de inspirar novas trajetórias. “Ser uma mulher negra docente é um desafio, porque ser mulher e ser negra na nossa sociedade é um desafio. Mas procuro mostrar aos estudantes que desafios não devem ser encarados como limites.”

Em sala de aula, ela busca apresentar referências de mulheres negras na ciência, como forma de ampliar horizontes para seus estudantes. “Gosto de destacar exemplos de mulheres negras de destaque na biologia, para mostrar que esses caminhos são possíveis.”

Ao ter cada vez mais mulheres em sala de aula, em setores técnico-administrativos e na gestão, o IFPB Campus João Pessoa estabelece uma cultura de diversidade que contribui para enfrentar desigualdades e enriquecer a formação de nossos estudantes.

As trajetórias de Jhenifer, Bruna e Lucila revelam diferentes caminhos dentro do IFPB como estudante, servidora e docente, mas todas compartilham a força da educação como instrumento de transformação. O IFPB é comprometido com a inclusão, com a formação cidadã e reconhece que o protagonismo de mulheres negras significa valorizar histórias de resistência e construção coletiva.

Mais do que celebrar conquistas individuais, essas trajetórias mostram que a presença de mulheres negras na educação, na ciência e no serviço público amplia possibilidades e inspira novas gerações a ocuparem espaços que também lhes pertencem.

Neste Dia Internacional da Mulher, o IFPB reafirma seu compromisso com a equidade, a diversidade e o fortalecimento de uma educação pública que continua sendo construída, todos os dias, pelas histórias de mulheres que inspiram.

Texto: Kayck Jesse, Estagiário
Revisão: Etiene Mozart, Relações Públicas