Visitas técnicas fortalecem a formação em Energias Renováveis no âmbito do IFPB/PRONERA
Visitas técnicas - IFPB/PRONERA
Professores e estudantes do Curso Superior de Tecnologia em Energias Renováveis, vinculado ao IFPB – Campus Esperança/Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), realizaram, na terça-feira, 7 de abril, visitas técnicas a comunidades rurais dos municípios de Esperança e Montadas, no Agreste paraibano.
A primeira atividade ocorreu no Sítio Caldeirão, em Esperança, e contou com a participação de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Esperança e da AS-PTA. No local, o grupo foi recebido pelo agricultor Givaldo e pela agricultora Nina, que compartilharam suas experiências de vida no campo, destacando práticas produtivas, saberes construídos no cotidiano e o uso de energias renováveis na propriedade, com ênfase na utilização de sistemas de energia solar.
Durante a visita, Givaldo ressaltou a importância das parcerias para o fortalecimento da agricultura familiar. “O Instituto, junto com as demais instituições e a agricultura familiar, desenvolve esse trabalho aqui, que é o combustível para a gente seguir em frente, sem desistir. A agricultura familiar não é fácil, mas buscamos tirar o máximo proveito do nosso trabalho. Ter vocês como apoiadores é muito importante, principalmente pela oportunidade de compartilhar nossas experiências com outras pessoas”, afirmou.
Na sequência, a comitiva seguiu para a comunidade de Furnas, na zona rural de Montadas, onde a atividade também contou com a participação do INCRA e do MST. A recepção foi realizada pelo casal de agricultores Veridiano e Rozileide, junto ao filho Vinícius, estudante de Licenciatura em Geografia na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Durante a visita, a família apresentou suas experiências no campo, evidenciando o trabalho como princípio educativo e os aprendizados construídos a partir da prática cotidiana.
Veridiano também destacou os impactos positivos das tecnologias implantadas na propriedade, especialmente no sistema de abastecimento de água. “É muito gratificante para nós. Mudou muita coisa. Não há desperdício, nem de água nem de gás. Para mim, ficou muito melhor”, relatou. Sobre a visita, ele acrescentou: “Foi muito bom receber vocês aqui. Para nós, é uma honra. Só tenho a agradecer”.
As visitas foram concluídas com a apresentação de tecnologias sociais desenvolvidas nas próprias comunidades, evidenciando a integração entre produção, conhecimento e modos de vida no campo.
De acordo com o professor Bruno Allison, da disciplina Introdução às Energias Renováveis, a atividade foi marcada pela troca de saberes e pelo contato direto com o território. “Foi uma experiência transformadora, em que os estudantes puderam visualizar, na prática, as possibilidades de uso das energias renováveis em seus territórios e comunidades”, destacou.
A graduanda em Energias Renováveis pelo PRONERA/IFPB, Deiciane, também ressaltou a importância da vivência. “A visita a duas famílias e o conhecimento dos seus quintais produtivos, com tecnologias sociais implantadas por meio de projetos, foi uma experiência muito emocionante. Isso porque já estive do outro lado, como alguém que reivindicava, junto aos gestores públicos, a implementação dessas iniciativas".
Ver de perto o impacto dessas ações reforça a importância dessas políticas para a população do semiárido brasileiro, especialmente no acesso à água e à produção de alimentos. Sabemos que muitas famílias ainda enfrentam dificuldades, inclusive sem acesso à água potável para consumo.
"Tecnologias como a cisterna para consumo humano, conhecida como P1MC, e o sistema P1+2, que permite a produção de alimentos por meio do armazenamento de água, são fundamentais. Essas iniciativas garantem não só segurança hídrica, mas também fortalecem a produção e geram oportunidades de renda para as famílias, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida no campo”, destacou.
A iniciativa proporcionou uma vivência formativa marcada pela escuta, pela troca de saberes e pelo contato direto com o território, reafirmando a importância da educação contextualizada e das práticas sustentáveis no fortalecimento da agricultura familiar.
Por: Pedro Henrique (Pepeu Jornalista)

