IFPB Esperança inicia graduação em parceria com o Pronera
Turma é do curso superior de Tecnologia em Energias Renováveis
O Campus Esperança do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) realizou na última terça, 16 de março, a aula inaugural do Curso Superior de Tecnologia em Energias Renováveis, desenvolvido no âmbito do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), por meio de convênio com o Incra. A graduação tem duração aproximada de três anos.
O evento, realizado no Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, marcou o início das atividades formativas da primeira turma do curso, composta por cerca de 50 educandos e educandas oriundos de assentamentos da reforma agrária de diversos estados do Nordeste, entre eles Paraíba, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Alagoas, Piauí e Ceará, bem como estudantes do Paraná, São Paulo e de Minas Gerais.
A aula reuniu educandos, educadores, representantes institucionais e organizações sociais, marcando o início de uma formação voltada à produção de conhecimento comprometido com a realidade dos territórios da reforma agrária e com a construção de alternativas sustentáveis para o campo brasileiro.
A iniciativa é resultado de parceria entre o Incra, o IFPB e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dentro das ações do Pronera, política pública voltada à ampliação do acesso à educação para beneficiários da reforma agrária, promovendo formação técnica, científica e cidadã.
O superintendente do Incra na Paraíba, Antônio Barbosa Filho, ressaltou durante a aula inaugural a relevância do curso. “Este curso é uma conquista importante para as famílias da reforma agrária. Ele oferece aos educandos formação técnica de alto nível em energias renováveis, permitindo que levem soluções sustentáveis e baratas para seus assentamentos, com autonomia energética e mais qualidade de vida. Para a reforma agrária, representa um passo decisivo no fortalecimento da permanência no campo, no desenvolvimento sustentável e na soberania energética das comunidades rurais”, disse Barbosa.
“Todos do IFPB estão muito felizes com a chegada da turma do Curso de Tecnologia em Energias Renováveis. O Pronera é uma política pública que transforma vidas”, afirmou o Pró-Reitor de Ensino do IFPB, Neilor César dos Santos. O diretor geral do Campus Esperança, professor Valnyr Lira, estava na mesa de autoridades e ressaltou a importância do curso e da parceria.
Dilei Aparecida Schiochet, da coordenação estadual do MST, destacou na aula inaugural que este é o único curso com essa temática ofertado pelo Pronera em todo o Brasil: “Este é um momento histórico. Energia é soberania! Se a gente quiser salvar a Caatinga, precisamos investir na produção descentralizada de energia. Este curso vai formar quadros para produzir energia limpa e popular nos assentamentos, fortalecendo a autonomia das famílias e a soberania energética do campo brasileiro”.
A coordenadora-geral de Educação, Arte e Cultura do Pronera, Clarice Aparecida dos Santos, destacou a importância do curso oferecido no IFPB Esperança. “A Paraíba é um estado que tem profundas contradições com relação à produção de energias renováveis, com grande interesse das multinacionais do setor. É muito desafiador. A Paraíba inova ao oferecer esse curso ao público da reforma agrária”, disse.
Novos cursos
Durante a aula inaugural, Clarice dos Santos também anunciou que o programa deve ofertar, em breve, outros dois cursos superiores e dois cursos de residência agrária.
O curso de Zootecnia deve ser promovido em parceria com o Campus do IFPB no município de Sousa, e o curso de Relações Internacionais em parceria com o Campus da Universidade Estadual da Paraíba em João Pessoa. Uma parceria com o Instituto Nacional do Semiárido vai permitir a oferta de dois cursos de residência agrária, sendo um na área de energias e questões hídricas e outro na área de agroecologia, educação do campo e inovações tecnológicas.
Curso estratégico
Os participantes do evento destacaram o caráter estratégico da formação em energias renováveis para o Semiárido e a importância de ampliar o acesso ao ensino superior para trabalhadores e trabalhadoras do campo, fortalecendo o desenvolvimento sustentável, a soberania energética e a permanência das famílias nos assentamentos.
Um dos educandos do curso é José Fabilício de Sousa Filho, 23 anos, do assentamento Novo Brejo, no município de Santana do Cariri, no Ceará. Ele pretende aplicar os conhecimentos adquiridos para desenvolver projetos de produção de energia que promovam melhorias na produção agrícola da comunidade onde vive.
Joanalice Daniel da Silva, 29 anos, e Iwanna Glória Aragão, 28 anos, são companheiras e também alunas do curso. Elas vivem no assentamento Paulo Freire, em Algodão de Jandaíra, na região do Curimataú paraibano. Joanalice contou que sempre se interessou pela área de energias renováveis por entender que é um conhecimento essencial para o futuro das comunidades rurais.
Pedagogia diferenciada
O curso será desenvolvido com base na Pedagogia da Alternância, metodologia utilizada na educação do campo que alterna períodos de formação no ambiente acadêmico com períodos de vivência e prática nas comunidades de origem dos estudantes, permitindo que o conhecimento adquirido seja aplicado diretamente nos territórios da reforma agrária e que o estudante continue participando das atividades produtivas dos assentamentos.
A proposta pedagógica do curso foi construída em diálogo com organizações sociais do campo, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que historicamente contribuem para o fortalecimento das políticas públicas de educação do campo no Brasil.
Articuladora político-pedagógica do curso, Larissa Brito afirmou que “o curso cumpre um objetivo da Reforma Agrária Popular e da soberania nacional: trazer o conhecimento técnico em energias renováveis de volta aos territórios camponeses e quilombolas, para fortalecer nossa autonomia — e não para o mercado. A transição energética não pode virar transação’.
Texto e fotos: Ascom do Incra-PB / Edição: DGCom do IFPB




