Projeto cultural leva literatura e arte à Feira Agroecológica do IFPB

Iniciativa reúne alunos, professores e agricultores familiares em atividades que incentivam a leitura e valorizam a cultura popular

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O projeto cultural “É Dia de Feira e de Expressão Cultural de Nosso Povo”, realizado em parceria com a Feira Agroecológica do Instituto Federal da Paraíba de Campina Grande e com a Associação Ecoborborema, acontece todas às quartas-feiras, das 7h às 11h da manhã. A iniciativa foi lançada na última quarta (04) e busca aproximar literatura, arte e cultura popular do cotidiano da feira.

O projeto tem como objetivo incentivar o estudo da literatura brasileira por meio de manifestações artísticas e culturais realizadas pelos estudantes. A coordenadora da iniciativa, professora Adriana Souza, explica que a ideia surgiu em parceria com a coordenadora da Feira Agroecológica, professora Márcia Gomes. Segundo Adriana, unir literatura e feira cria um espaço de troca de experiências, afetos e valorização da identidade cultural, especialmente na convivência com agricultores familiares e produtores agroecológicos.

A programação do projeto é composta por cinco atividades principais. A primeira é o Intervalo Cultural, realizado no “Palco de Mei de Feira”, onde estudantes apresentam músicas, leituras, saraus, dramatizações e pequenas peças teatrais durante o intervalo das aulas. Outra ação é a Biblioteca de Varal, um espaço de leitura de cordéis montado dentro da feira, onde o público pode manusear e ler os textos livremente. O projeto também conta com o Cordel no Palco, atividade em que turmas ensaiam e apresentam peças de teatro inspiradas em histórias da literatura de cordel, integrando leitura, interpretação e expressão artística. Já a Farmácia Poética propõe uma experiência simbólica: poemas de diferentes autores são guardados em pequenos recipientes, chamados de pílulas poéticas, que podem ser abertos pelo público para leitura e até levados para casa, como um “remédio para a alma”. Por fim, o Balaio de Troca promove a circulação de livros. A cada quarta-feira, os participantes podem levar exemplares que já leram para trocar com outras pessoas, ampliando o acesso à leitura sem a necessidade de comprar novos livros.

De acordo com Adriana Souza, o principal objetivo da iniciativa é democratizar o acesso à literatura e incentivar novos leitores e autores. “A leitura não pode ficar restrita à sala de aula ou ao espaço privado. Queremos compartilhar esse hábito, divulgar produções dos próprios alunos e mostrar que a leitura é matéria-prima para tudo”, afirma.

Para o estudante João Leal, do 2º ano do ensino médio integrado em Química, o projeto é uma oportunidade de contato com tradições culturais muitas vezes esquecidas. Ele destaca que atividades como essa despertam o interesse dos jovens pela cultura nordestina. “A tradição do cordel, da cantoria de repente e do forró pé de serra foi se perdendo entre muitos jovens. Ações assim ajudam a resgatar esse interesse e abrem espaço para novas iniciativas culturais”, comenta.

Tanto o projeto quanto a feira são abertos ao público externo, permitindo que qualquer pessoa participe das atividades e interaja com os estudantes e produtores.


Com literatura, música, teatro e troca de livros, o projeto transforma a feira em um espaço de encontro entre conhecimento, cultura popular e comunidade, fortalecendo o vínculo entre educação e identidade cultural. 

Texto: Ariely Costa, estagiária de Jornalismo
Supervisão e revisão: Clébio Melo, jornalista do IFPB Campina