Pesquisas do IFPB CG testam materiais não convencionais na construção civil
Vidro, plástico e até conchas foram utilizados na fabricação de tijolos e blocos
Um dos papéis fundamentais de instituições públicas de ensino, como o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), é transformar o conhecimento acadêmico em soluções práticas para a sociedade. É com esse objetivo em mente que um grupo de servidores e estudantes do campus Campina Grande tem trabalhado. Eles fazem parte de cursos como Construção de Edifícios, Edificações e Engenharia Civil e andam testando como materiais que seriam facilmente descartados em obras podem ter outros usos, beneficiando as pessoas e o meio ambiente.
Não foi preciso ir muito longe para comprovar um dado que, muitas vezes, passa despercebido. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cerca de 30% dos resíduos produzidos no país vêm da construção civil. Estima-se que aproximadamente 44 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição (RCD, também usado como RCC – resíduos da construção civil) tenham sido geradas no Brasil em 2023. Uma obra em andamento no campus foi laboratório para verificar isso.
A construção está em fase final e, futuramente, poderá abrigar novas salas de aula, laboratórios e espaços para incubar empresas júniores e empreendimentos sociais. Mas, foi o entorno dela que chamou a atenção dos pesquisadores. Lá, o grupo coletou alguns resíduos para os estudos. Outros, vieram de parcerias entre os campi do IFPB. O professor Eduardo Cruz conta que vários materiais foram testados: conchas, serragem de rochas, entulho, pó de vidro. “Os trabalhos do grupo demonstram a viabilidade técnica e ambiental do uso de resíduos na construção civil”, assegurou. O vidro é exemplo forte. Substituindo parcialmente o cimento no concreto, o resultado foi um aumento da resistência, de acordo com os testes em laboratórios do campus Campina Grande.
Esse conhecimento produzido e testado dentro dos muros do IFPB não ficou restrito à instituição. Segundo Eduardo, ele foi levado para fortalecer o sistema produtivo em cinco empresas de pré-moldados da cidade. O grupo de pesquisa também se preocupou em capacitar pessoas assistidas pela Instituição Social O Resgate, que trata dependentes químicos. Os homens aprenderam a construir blocos de concreto para piso intertravado (ou paver).
Outro resultado imediato foi o uso para a construção de vasos para plantas, que decoram, hoje, ambientes do campus Campina. “A gente considera como experiência exitosa o fato de aproveitar o resíduo gerado pelo próprio campus, nas nossas obras, em geração de materiais beneficiados. Conseguimos, como esse material, trabalhar com os projetos de extensão, de pesquisa e de ensino, na revitalização da área de vivência dos estudantes”, comentou Eduardo.
Os alunos também foram beneficiados de outras formas. De acordo com o professor, além dos apoios internos - como editais de incentivo da Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação -, mais de R$200 mil foram captados de agências de fomento externas, que foram direcionados para o pagamento de bolsas. Isso chegou em Isyanne Tavares da Silva Sobral (21 anos), aluna do curso de Tecnologia em Construção de Edifícios. “No início, eu entrei como voluntária. Depois, quando eu fui ganhando mais conhecimento, eu tive a oportunidade de ter o próprio projeto de pesquisa. Nesse projeto, eu recebia bolsa e ela me ajudou incentivando o empenho para produzir mais e a comprar um computador para escrever meu artigos e estudar melhor”, comentou.
Atualmente, o grupo trabalha na impressão em 3D de um protótipo de recife artificial para instalação no mar, para estudos de biocompatibilidade.
Reportagem: Clébio Melo, jornalista do IFPB Campina
*Fotos cedidas por Eduardo Cruz

