Pedreiros de Campina Grande sonham com certificado que pode mudar suas vidas
Eles fazem parte do Programa Certific no Campus Campina.
Olhando de longe parecem trabalhadores comuns, que buscam apenas completar o serviço diário para ajudar no orçamento de casa. Mas diferente dos versos de Chico Buarque que dizem “Pedro pedreiro fica assim pensando/Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando pra trás”, esses trabalhadores decidiram não ficar mais "esperando, esperando, esperando" o futuro chegar e há quase dois anos começaram a correr atrás de seus sonhos. Saíram do mundo feito apenas de cimento, tijolos, cerâmicas e voltaram ao convívio com livros e salas de aula. Agora eles estão prestes a terem a recompensa que merecem: o reconhecimento de anos de trabalho através de um certificado.
Em 2010, vários pedreiros se inscreveram no Programa de Certificação Profissional e Formação Inicial e Continuada – Certific do Campus Campina Grande do IFPB. O programa foi criado pelo governo federal e executado pelos Institutos Federais para atender trabalhadores que busquem aprimorar conhecimentos, além de ter reconhecimento e certificação dos saberes adquiridos na prática da profissão.
De acordo com Francilda Araújo Inácio, coordenadora do programa Certific no Campus Campina Grande, o programa volta-se para pedreiros maiores de 18 anos que já detêm experiência profissional na área e buscam melhoria de escolarização e sua qualificação/certificação profissional. Segundo Francilda, “a partir de sua inserção digna no mundo do trabalho, eles podem alcançar a tão sonhada e merecida mobilidade social, que lhes permitirá atuar como cidadãos protagonistas do processo social em que estão inseridos”.
Desde o início do ano passado, quando começou o curso, professores do Campus ministram aulas teóricas em salas de aula com o auxílio de alunos do Curso Superior de Tecnologia em Construção de Edifícios. Em outros dias da semana, os pedreiros fazem atividades práticas em consonância com o que viram em sala de aula. A avaliação é feita pelos professores que os acompanham ao longo das atividades.
O pedreiro Antônio Carlos diz que entrou no Certific para ter mais conhecimento na área e garante que já aprendeu muita coisa. Ele exemplifica: “eu trabalho o tempo todo com projetos e não sabia fazer a leitura desses projetos. Agora já estou sabendo diretinho”. Quando o assunto é o certificado, ele dá um sorriso e solta: “o certificado já é mais uma prova que eu tenho conhecimento na área. Ele vai abrir as portas pra mim”.
Quem já tem muitas portas abertas é o mestre de obras Gilberto Alves de Olinda. Ele é pedreiro há 40 anos e há 21 não entrava numa sala de aula. Estimulado pela saudade dos estudos, ele sabe da importância do professor na sua vida profissional. “Entrei aqui para pegar teoria, mais conhecimento. Já aprendi muita coisa. A gente tinha a prática, mas não tinha muita teoria”. E ele já tratou de tornar mais proveitoso esse conhecimento. “O que aprendo aqui passo tudo para os meus colegas de trabalho. Nosso serviço ganhou mais qualidade”, afirma com satisfação o mestre de obras.
Hoje, são sete os trabalhadores que estão prestes a receber o seu devido certificado: José Mário de Almeida Sousa, Waldemar Martinho Bezerra, Luciano Pereira Ventura, Antônio Carlos Campos Araújo, Gilberto Alves de Olinda, Damião Pereira da Silva e Claudio Batista dos Santos. Nenhum Pedro, nenhuma espera. Pelo contrário. Essa turma sabe que “esperar não é saber/ quem sabe faz a hora/ não espera acontecer”.
Texto: Felipe Vilar – jornalista do IFPB/Campus Campina
Fotos: professor Frankslale Meira







